Um importante sociólogo diz que o futuro da gastronomia está no campo e que a melhor revista de culinária é a Globo Rural. Eu acredito e obedeço, vou até a banca e não é que dou de cara com os novos “barões” do Café da Alta Mogiana! A matéria é toda alegria para nós fincados no coração dessa região, não só pelas cifras impressionantes, mas, principalmente, porque mantém viva uma de nossas vocações: o plantio do café.
Mas antes dos novos, vamos aos velhos. A classe de agricultores que se convencionou chamar de barões do café foram detentores de riqueza e poder só vistos antes nas mãos dos senhores de engenho. Com o declínio dessa cultura no Brasil, a cafeicultura avança e chega a representar 61% do total de exportações feitas, devolvendo o Brasil à categoria de unidade agroexportadora mundial. Poderia ser bonito, mas não foi. A história de sucesso financeiro começou naturalmente com o contingente escravo, essa mancha que nos elevou ao primeiro lugar: maior comprador de escravos, por maior lapso de tempo.
E por que eram barões? Na verdade, foram também visconde, conde e marquês. E, afora o aspecto financeiro, essa medida tinha o intuito de se criar no Brasil uma nobreza que obviamente daria sustentação ao Império – te faço nobre, retiro-lhe o ranço de caipira e você me sustenta, para que eu continue a te ungir.
Visto por esse ângulo, os novos exemplos de produtores da Alta Mogiana apresentam aroma muito superior. Representam uma classe de agricultores que entendem que a manutenção do ecossistema circundante, do solo principalmente, é garantia da perenidade da lucratividade. Entendem também que o produto melhorado vale muito, além de atrelar a ele requisitos subjetivos, como amor e orgulho, que acabam por reverter em melhorias reais: quando meu produto é bom, meu funcionário também o é.
E o café, afinal, esse de que a matéria da revista trata. É o arábica, produzido na altitude, chamado de especial com Indicação Geográfica (IG) da Alta Mogiana. Esse café fino é considerado doce e reconhecível por isso: segundo especialistas, em cada xícara percebe-se o solo, a história e a cultura da região. Mas do lado do consumidor, exceto nas cafeterias de grandes cidades, notamos que ainda há resistência na aceitação desses cafés finos. Não só o preço representa entrave, mas a sensação de que esse tipo de café é fraco, acostumados que estamos aos cafés denominados de combate. É que a exigência fundamental para apreciação dos especiais é tomá-lo sem açúcar - e isso é outro tabu.
Mas podemos, nós também, aprimorar nosso paladar. Não é preciso ser barista para brincar de degustação. Faça em casa: reúna a família, faça 3 cafés diferentes, inclua entre eles um especial. Não adoce nenhum, cheire profundamente o café na xícara, dê um trago bom, deixe o café repousar na boca, perceba os sabores em toda a extensão da boca e da língua, só depois engula. Morda um chocolate, beba água e parta para a próxima xícara. É surpreendente a percepção e a decepção com boa parte do nosso cafezinho do dia a dia.
DICA DA SEMANA
Pé de moleque
Sei que o doce já está um pouco fora, afinal já se passaram as festas juninas. Mas somente por agora consegui testar essa receita deliciosa. Achei esse, um dos doces de amendoim mais gostosos que já comi.
O modo de fazer também é “mamão com açúcar”
Primeiro derrete-se 400 gr de rapadura em 100 ml de leite. Faça isso lentamente em fogo muito baixo, senão ela se queimará. Depois bata 300 gr de amendoim e misture tudo. Despeje com cuidado numa pedra de cozinha, na bancada, e espere esfriar, depois quebre aos pedaços.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.