Um detalhe, nada pequeno, mas um detalhe, porque ele é apenas uma das características, dentre tantas outras, de um país inteiro. Mas um detalhe definitivo, que há séculos vem contribuindo para o sucesso estratégico da Inglaterra: ser uma ilha. Por duas vezes o grandioso e empertigado exército alemão molhou as botas nas mesmas águas atlânticas que banham a ilha, mas não chegou até lá. Dizer que a ilha fica longe do continente, não fica, mas tem água e fog suficientes para lhe darem segurança.
Hoje, o mesmo estava sucedendo: ninguém viu desembarcar navio algum de refugiados, ninguém assistiu a hordas de imigrantes chegando por terra, caminhando rumo à Inglaterra. Novamente eles se mantiveram a salvo, porque simplesmente refugiados em massa não compram passagens aéreas. Mas o caso é que os ingleses poderiam ser obrigados a recebê-los. Haviam dois pontos sobre os quais a União Europeia sempre esteve de acordo: a) organizar políticas de salvamento do sistema financeiro e b) estabelecer políticas comuns de limitação de circulação de imigrantes. Existem outros, mas ninguém duvida que o consenso na letra ‘b’ foi o principal motivo da saída do Reino Unido da zona do Euro. E o que isso acarreta? Um isolamento natural.
Com a construção do Eurotúnel, ficou comum ingleses saírem para um fim de semana em Paris. Para turistas que estivessem tanto em país como noutro, tornou-se irresistível dar uma corridinha para uma ou outra capital, agindo como quem sai de um ônibus intermunicipal. O primeiro trem sai de Londres às 5h25, a viagem leva 2 horas e 15 minutos. Ou seja, às 8 da manhã seria possível estar saboreando um croissant ou pain chocolat com um café au lait, ou café crème ou, quem sabe, com mais personalidade, um express serrè. Qualquer das opções muito mais elegantes que o clássico breakfast inglês: feijão, linguiça, ovos, cogumelos e café ou chá inglês com leite, que é uma caneca de chá preto com um pouco de leite.
Nada definitivo, quem fosse arrebatado pelo patriotismo do tipo Onion Jack (apelido da bandeira do Reino Unido: junção das bandeiras da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda do Norte) pode ainda voltar para Londres e almoçar no restaurante homônimo do Jamie Oliver e saborear as tradicionais comidas inglesas: muito peixe defumado, peru, salsichas, muita batata, fígado de galinha.
Então, pode-se ficar e, lá pelas 5 horas da tarde, saborear delicados sanduíches com pepino e salmão defumado, chás de jasmim, bolinhos e cremes feitos de nuvem numa elegância real. Mas pode ser também que a dor de perder a Torre Eifel, piscando à noite, seja maior - nesse caso, daria tempo para voltar e jantar algo francês mais leve: moules e frites, soupe à l’oignon, ou somente uma salade verte, já que o dia foi intenso. Simples assim, a cara da Europa “jovem” que parece estar com os dias contados.
DICA DA SEMANA
Laranja
Para nós, falarmos em tempo de laranja é algo meio ridículo porque temos laranja todos os dias. No entanto, se observarmos bem, elas estão muito bonitas porque é tempo delas e cheias de caldo e sabor.
Também estamos acostumados a comer laranja junto com comida de sal, melhor dizendo, com feijoada. O ácido é um bom combatente da gordura toda.
A dica de hoje vai por aí, mas o conselho é serví-la na salada. Nesse caso há que se cortá-la em gomos, retirar a pele branca e sementes, claro, e dispor juntamente com as folhas e ainda, acompanhada por rodelas bem finas de cebolas roxas. O tempero, neste caso, acho o vinagrete de balsâmico, bem interessante.
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