Debret e o Brasil Colônia


| Tempo de leitura: 3 min
Jean-Baptiste Debret é considerado o maior cronista visual do Brasil do século XIX
Jean-Baptiste Debret é considerado o maior cronista visual do Brasil do século XIX
A qualquer um que possa interessar a história do Brasil Colonial, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo está fazendo um relançamento imperdível: Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. O livro é um grande compêndio não só das obras de um grande pintor, mas também da cultura nacional nos tempos do império. Isso porque Jean-Baptiste Debret é considerado o maior cronista visual do Brasil do século XIX.  O seu: viagem pitoresca, é muito mais do que o descompromissado título sugere. Debret viveu no Brasil por muitos anos, por durante quase 15 anos, o pintor, decorador, desenhista, cenógrafo, viajou, retratou e registrou um Brasil multicultural, colorido, sofrido, mas sempre belo. 
 
Todo tipo de gente brasileira atua nas suas aquarelas - muito embora fosse contratado pelo imperador Dom João VI, o artista jamais fechou os olhos para a realidade das ruas, dos negros e dos índios. Por isso o seu trabalho é tão importante para o Brasil: não só a beleza anima as suas obras, mas a consciência social, que acabou por fornecer um registro dos costumes daquela época. Um detalhe em particular dessa obra é que as ilustrações vêm seguidas por textos explicativos, e esses textos foram escritos não no Brasil, debaixo do calor escaldante que Debret citava como condicionante de nossa personalidade, mas já em Paris, no seu retorno a casa, portanto, depurados das emoções e de grande valor documental. 
 
Mas o que Debret pintou? Nossa fauna, nossa flora, nós nos nossos desdobramentos: europeus, índios e negros. E não economizou em beleza e sensualidade. Alimentou o exótico em nós. Os negros escravos movimentam as rodas do engenho, mas seus corpos fortes exibem uma beleza bruta, luzidia da pele escura. Os índios, em suas festas tribais, são como antigos e orgulhosos caciques. 
 
Mas, dentre tantos relatos, destaca-se um em particular: a vida das negras forras e das “escravas de ganho”. A primeira é nossa conhecida, ex-escravas que viviam pelas ruas ganhando a vida através da venda de comida e com isso se mantinham. Muitas delas chegaram mesmo a se destacar no comércio de comida, chegando mesmo a comprar escravos e deixar heranças. As outras, eram escravas ainda, que com patrões em decadência tinham de sair às ruas para também vender comidas, só que nesse caso, os lucros não lhes pertenciam, às vezes ganhavam alguma comissão. 
 
E Debret nos fala dessas comidas: milho assado na brasa, guisado de tatu, pirão de farinha de milho com quiabo, carne de porco, linguiças, folhas de nabo, tomates, acarajés, bolo de canjica. Os temperos oficiais dos guisados eram: o cheiro verde, louro e sálvia. Vejam que o cheiro verde foi aceito por todo brasileiro, enquanto a sálvia figura mais como tempero de luxo. Bastante popular também era o Aluá, um refresco feito de água de arroz socado com açúcar. 
 
Os balaios e negras vendedoras são, eu acho, as suas mais belas aquarelas. Enormes cestos de vime se assemelham a poderosas cartolas mágicas, capazes de satisfazerem os desejos dos clientes. Por outro lado, retratam uma inevitável mudança de costumes: é claro que, forra ou escrava, essas mulheres começaram a gozar de uma certa autonomia, adquiriam conhecimento sobre a vida, sobre dinheiro, sobre o comércio. Um nobre talvez não enxergasse isso, mas Debret, testemunha ocular da Revolução Francesa, sabia muito bem da força que emana do povo. 
 
 
DICA DA SEMANA
 
Sopa
 
Para mim não é preciso que esteja frio para poder saborear uma sopa. Eu simplesmente adoro sopas. Vamos a uma boa dica para incrementar o sabor da sopa. Primeiro, doure a cebola na manteiga, não é preciso de muita, duas colheres de sopa de manteiga para uma panela grande de sopa, são suficientes. Segundo, invista no caldo da sopa. Refogue uma cenoura e tomate sem pele, deixe cozinhar e bata no liquidificador com água, use essa mistura para cozinhar os legumes da sua sopa, ao invés de colocar água simplesmente.
 
E o toque final, na hora de servir, com a sopa no prato, coloque um fio de azeite e uma colher chá de vinho tinto. Ambos levantam o astral da sopa.  

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários