Depois que a panela pegar pressão, abaixa-se o fogo e contam-se 30 minutos para um feijão cozido, mas ainda íntegro, perfeito para um bom tropeiro. Os bolos, em geral, inclusive o pão de ló, 35 minutos de forno pré-aquecido são suficientes para o famoso: palito limpo espetado no centro do bolo assado. O pernil suíno, 1 hora de forno para cada quilo de carne, forno médio, forma bem coberta com papel alumínio, verificam-se os líquidos regulamente para que não queime. Os ovos, ah! Os ovos. Esses sim são caprichosos e, nas mãos certas, dos franceses, por exemplo, se apresentam nas mais diversas, surpreendentes e deliciosas produções. Mas podem ser também elegantemente simples, um ovo quente por exemplo, tem-se um em 4 minutos, depois que a água levantou fervura. Ou podemos tê-lo com a clara cozida e a gema mole, daí 6 minutos serão suficientes. Mas se queremos clara e gema duros, então 7 minutos. E por que marcar tempo quando queremos o ovo duro? Para a boniteza, nesse tempo ele não formará aquela aureola roxa. É gema amarela, clara branca e só.
Todas essas dicas valem inexoravelmente? Não, não valem. Vai depender da potência da chama do fogão, do forno. Vai depender da qualidade das panelas, da espessura das formas, se o ovo estiver gelado vai estourar na hora que entrar em contato com a água fervente. E se ao invés de colocarmos 1 ovo para cozinhar, colocarmos 10? Vai alterar o tempo de cozimento?
É a vida...uma combinação indissociável de conhecimento e experiência. Quanto tempo demoramos para conhecer, de fato, uma pessoa? Como e com que quantidade de conhecimento acumulado do outro nos fazemos seguros para nos deixarmos levar?
Lembro-me perfeitamente quando, após 9 anos de namoro, eu tive a certeza de que não queria me casar com o meu primeiro namorado: descíamos a rua General Osório, numa manhã fria de domingo, ele se virou para mim e falou qualquer coisa, só sei que ouvi a palavra casamento e fiquei imaginando de quem é que ele falava, não me ocorreu que fosse de nós...um inverno mais tarde, precisei de 7 meses para decidir ir morar junto com meu primeiro marido, que assim o ficou sendo por 13 anos.
14 invernos depois, num sábado, percebi que já era hora de nova primavera, inicialmente sem grandes compromissos, felicidade apenas. Mas não é que “esse” - razão de minha felicidade - foi me ajudar com a mudança e resolvemos não irmos mais embora um do outro. Nesse inverno completamos 10 anos juntos.
Intimidade. Não importa por quantos buracos de portas expiemos, não importa quantas pessoas tenham nos ensinado, tenham nos doutrinado. Não importam quantos cadernos surrados herdamos, tampouco importam os ensinamentos midiáticos. É preciso fazer. É preciso ir fundo, detonar os teflons de inúmeras frigideiras.
O bom é que, desde o início, já é possível colher bons resultados. Melhor também que a perfeição jamais chegará, há muito trabalho a se fazer: lenha eterna que alimenta o fogo eterno de todas as paixões.
Um feliz Dia dos Namorados!
DICA DA SEMANA
Brigadeiro
Dizem por aí que o brigadeiro é nosso doce “moderno” favorito. Antigamente eram os doces de vó: abóbora, arroz doce, mamão. Vi uma receita da Joyce Galvão que muda bem o gosto e o visual. Bem fácil: 1 lata de leite condensado, 90 gramas de doce de leite e 2 colheres de sopa de manteiga de cacau. Tudo junto numa panela pesada de fundo triplo e mexer sem parar até aquele ponto que conhecemos bem: desgrudando do fundo. A dica é se o brigadeiro começar a chiar é porque tá queimando, abaixe o fogo ainda mais. Uma boa espátula e uma boa panela, além do fogo baixo, são as melhores dicas.
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