Pode-se suspeitar, mas como saber sem ver? A descrição pode servir: é acreditando nisso que partilho minhas impressões, mas nunca será o bastante, é preciso ver. E eu vi uma das mais belas paisagens na minha vida.
O sol há pouco se deitara, a lua apressada, quase cheia, iluminava a noite - mais especificamente o vale que se estendia a nossa frente, lá embaixo, ovelhas fofas de caras e patas pretas baliam e corriam harmoniosamente, como sardinhas em fuga num mar verde profundo, pequenas vagas encapadas de musgos lhes possibilitavam os saltos. O cachorro, responsável pela guarda delas, corria, melhor, se divertia com elas. Um frêmito tomou conta do vale, uma babel de gritos, latidos, rosnados, chilreios, coaxos celebravam a noite - e que noite! Do outro lado, um morro alto com uma pequena estrada a lhe circundar, tal qual uma fita que alguém do alto soltara e caíra graciosamente pelo corpo cônico do morro. A lua, ainda mais baixa que os morros, parecia encastelada, nascida exclusivamente para o vale: um farol poderoso a alongar as sombras das criaturas e a textura de tudo naquele lugar era o veludo.
Se no primeiro e segundo dia da viagem os cafezais se impuseram, no terceiro, a paisagem denuncia mudanças. Contrariando a lógica, até videiras apareceram, lindas, bem tratadas, enfeitadas com roseiras ao final de cada rua, como os italianos costumam fazer. A terra onde esses mineiros de Andradas teimam suas videiras tem pouca relação com as excelentes terras italianas, digo isso visualmente. Por lá, parece que araram rochas argilosas, uma terra que gruda aos sapatos, sem chance de se ver livre dela, algo suspeito de fertilidade. Para nós, a boa terra mãe de ancas poderosas é a roxa, a vermelha. Por aqui, os cortes dos arados produzem os mesmos ferimentos, mas o que se vê em cor e textura é muito diferente. A cidade de Andradas é referência na produção de vinhos em Minas Gerias. A vinícola, orgulho local, produz os vinhos Geraldo, na maioria espumantes (o que é um bom sinal). Além disso, eles mantêm um projeto de turismo agrícola que surpreende, com restaurante e bar dentro da propriedade.
Mais adiante, a surpresa esperada começa em Tocos do Mogi: as plantações de morangos que se estendem até Estiva. Infelizmente, não se vê os morangos assim, de longe, imaginava pequenos pontos vermelhos, pinceladas impressionistas num morro verde. Mas não, o plástico preto utilizado para evitar o contato da fruta com a terra é que reluz e, conforme a incidência da luz, faz parecer que enormes piscinas quadradas de mercúrio tomaram conta dos morros. Ao lado das plantações, os agricultores também tampam as cercas com plásticos brancos, acho que é para proteger as frutas contra o pó da estrada, que é realmente exasperante. Metade do morango consumido no Brasil sai daquela dessa região, são mais de 4 mil agricultores distribuídos em mais de 1 mil hectares de terras plantadas. Mas não só de morangos, outras belezuras como amora preta e mirtilo também são cultivadas na região, no sul de Minas, na Mantiqueira detentora de um clima ameno, gente boa demais e dos mais belos vales do nosso Brasil.
Dica da semana
Pesos e medidas
Quem trabalha de forma profissional com a comida bem sabe que medida é coisa a ser seguida, não é enfeite ou direção, normalmente as quantidades foram testadas e se apresentam em melhor forma daquela maneira. Não significa que você não possa fazer seus testes, aliás, deve, mas anote para não perder o melhoramento.
A experiência mostra que seguir a receita mais ou menos nem sempre compromete o todo, fica aquele bolo mais ou menos, aquela torta que dá para comer, mas não perfeitos. Invista na compra de uma balança digital que pesa corretamente os gramas. Dicas:
- 1 xícara de farinha de trigo pesa 120 gramas
1 colher de sopa pesa 7,5 gramas
- 1 xícara de chocolate ou cacau em pó pesa 90 gramas
1 colher de sopa pesa 6 gramas
-1 xícara de açúcar pesa 180 gramas
1 colher de sopa 12 gramas
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