Páscoa e seus significados


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A Nina Horta relata que há quem diga que a melhor maneira de se comer chocolate é no meio do pão. É só lembrar do “pan chocolate”
A Nina Horta relata que há quem diga que a melhor maneira de se comer chocolate é no meio do pão. É só lembrar do “pan chocolate”
Para a maioria dos cristãos, resta a impressão de que o conhecimento ao Cristo se deu com o seu nascimento e, por isso, o Natal é a data mais comemorada por nós - e também a mais importante do calendário cristão. Mas não foi assim. Na verdade, a morte de Jesus Cristo é que fez dele o que ele não tinha sido ainda: O Filho de Deus. Melhor dizendo, não exatamente a morte, mas a ressurreição, na qual creem os crentes.
 
As fontes não cristãs sobre a vida de Jesus são raras, mas um importante historiador judeu escreveu sobre Jesus: “Naquela época, houve um homem sábio chamado Jesus, cuja conduta era boa; suas virtudes foram reconhecidas. E muitos judeus e gente de outras nações se tornaram discípulos seus. E Pilatos o condenou a ser crucificado e a morrer...” 
 
Enfim, foi com o advento de sua morte que seus adeptos tomaram consciência do que significava sua vinda e sua ação. Puseram um nome no que Jesus deixara em aberto: ser ou não ser... “Em suma, Jesus não disse que era, mas fez como se fosse”. Dizê-lo é papel do crente em sua confissão pessoal de fé.
 
Portanto, o advento da Páscoa deveria ser o mais festejado, pois trata-se de um acontecimento visionário em que os amigos de Jesus se deram conta de que aquilo que haviam recebido dele e vivido com Ele vinha do próprio Deus e por isso proclamaram: “Deus o ressuscitou de entre os mortos, do que somos testemunha”.
 
A Ceia, a última ceia de Jesus, foi pão e vinho. Jesus comia e esperava o pior. Nossa ceia de páscoa é muito diversa, pelo menos é nosso desejo. Começamos pela Sexta-Feira Santa, que nos impõe uma restrição alimentar, coisa que driblamos muito bem com o bacalhau: a grande atração da sexta-feira é justo um dos peixes mais caros do mercado. 
 
O Sábado de Aleluia, em meio a dois dias tão significativos, acabou se diluindo e perdendo suas tradições. A malhação ao Judas, que tomava conta das ruas de minha infância, quase não se vê mais. Talvez ninguém tenha mais tempo para a feitura de bonecos. Na Polônia, os padres aproveitavam o Sábado de Aleluia para abençoar as comidas da Páscoa, até hoje as comunidades polonesas e ucranianas de Curitiba iniciam a comemoração pascalina com uma bênção coletiva de suas cestas de alimentos. 
 
Para a tradição judaica, que é muito anterior ao Cristo, a Pessach é oportunidade para reviver o êxodo dos judeus. A ceia tem início com uma limpeza escrupulosa da casa, que alcança armários, tapetes, gavetas até bolsos. Alguém duvida que a faxina alcance os corações? A mesa muito farta e comprida deve acomodar a família inteira, e a mãe judia acende as velas por uma longa e fértil vida. 
 
Nosso Domingo de Páscoa é de fartura também e o chocolate é paixão humana. Num livro da Nina Horta, ela relata que há quem diga que a melhor maneira de se comer chocolate é no meio do pão. Antes de qualquer estranhamento, é só lembrar do “pan chocolate”. Segundo ela, o melhor é o pão de miga, uma barra de chocolate amargo e um toque de pimenta do reino verde. Para os ousados, pode ser uma surpresa de Páscoa.
 
Ps. Escrevi essa crônica pensando que ninguém vai dar a mínima para esse tipo de coisa diante da situação do país. Ainda bem, errei: encontrei um texto do Leonardo Boff comentando sobre os direitos do coração (!), por isso segui adiante. Sigamos adiante e feliz Páscoa a todos.
 
 
DICA DA SEMANA
 
COCO
 
Já havia lido essa dica em vários lugares, mas ainda não tinha testado. Tudo começou vendo uma fábrica de leite de coco pela televisão e lá estava um monte de cocos assando no forno. Depois li no livro Pitadas que a melhor maneira de se retirar a casca do coco é assando-o primeiro. Então a dica é a seguinte: Pegue um coco seco, para retirar a água um saca-rolha num dos três buracos que todo coco tem e faça movimento como se tratasse de uma rolha, ele fura, daí é só chacoalhar para a água sair.
 
Aqueça o forno, temperatura 200 graus e deixe assar por 15 minutos. Vire e deixe assar por mais 15. A casca racha como mágica, é possível retirá-lo inteiro, como uma bela bola marrom. No livro Pitadas, a Rita fala em 15 e 10 minutos, o meu coco precisou de 15 e 15. Isso acontece porque a casca do coco é seca, o interior é úmido, logo, o forno seca um pouco a fruta lá dentro, reduz um pouco seu tamanho, e ela se solta da casca. Se você for ralar o coco a ocasião é perfeita.

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