Comida e diplomacia


| Tempo de leitura: 3 min
A alimentação é forte aliada da nossa condição social, ela pode ser símbolo de miséria, como a xepa, e pode ser símbolo de abundância, como um banquete
A alimentação é forte aliada da nossa condição social, ela pode ser símbolo de miséria, como a xepa, e pode ser símbolo de abundância, como um banquete
Lendo as notícias sobre a aguardada visita do presidente iraniano ao lado ocidental do mundo, peguei-me recordando do aniversário de 6 anos da minha filha: um dos convidados era um amiguinho que só se alimentava de comida kosher. Fiquei por dias agoniada com a situação, pois gostaria que o garoto comparecesse à festa, mas não sabia o que poderia oferecer-lhe - e nem sabia como abordar o assunto com a mãe do garoto. Até que me decidi pela sinceridade simplesmente. Disse à mãe do garoto que gostaria que ele comparecesse e, diante disso, o que eu poderia oferecer a ele. Ela me passou uma lista, eu fiz o possível e o amigo compareceu à festa e ficou feliz - já que era raro ele ser liberado para festas infantis. Considero que houve uma boa saída diplomática, sem perturbar os gostos das crianças em geral, mas sem impedir que o “exclusivo” participasse da comemoração. Claro que isso é só um exemplo simplista, mas que ainda assim revela um pouco de tolerância entre diferenças, porque ambas as partes transigiram um pouco. 
 
Voltando à visita sobre a qual eu falava de início: fazia quase duas décadas que um representante do Irã não saía de seu país em visitas cordiais e diplomáticas aos países do Ocidente, melhor dizendo, de hábitos ocidentais. Passou por Roma primeiro, conversou com o papa, a quem pediu orações, num claro aceno de respeito à religião cristã, cuja Roma e Francisco são os representantes máximos na Terra.
 
E depois a França. Um banquete, ai meu Deus, aos moldes franceses seria oferecido ao senhor Hasan Rowhani. Mas o caldo entornou porque o homem não aceita sentar-se numa mesa onde haja garrafas de vinho. Acontece que o vinho francês não é apenas a bebida escolhida para se regar o bofe, ela é identitária da cultura francesa, ela é símbolo do terroir francês, enfim, não há como se retirar o vinho, porque seria o mesmo que pedir para sair todos os orgulhosos produtores de vinho franceses, nem pensar. Por isso, um encontro magro aconteceu entre os dois chefes de Estado, François Holland e Hasan. 
 
No passado, o presidente George Bush, em visita ao Japão, ao comer um sushi oferecido num banquete, o vomitou ali mesmo. Em seguida, ele desmaiou, acho que de vergonha mesmo. Mais tarde disse que a gripe o fizera vomitar e desmaiar... Mas o estrago já estava feito.
 
Seja dentro da casa da gente, seja numa recepção diplomática, acertar a comida a ser oferecida requer respeito e atenção. A intuição a gente usa na feitura. A alimentação é forte aliada da nossa condição social, ela pode ser símbolo de miséria - a xepa, por exemplo - e pode ser símbolo de abundância, como um banquete. Nos casos diplomáticos, ela é mediadora das relações de Estado, quanto mais afinados os Estados, mais digerível será o jantar, marcando as diferenças entre barbárie e civilidade.
 
 
DICA DA SEMANA
 
Salada de frutas com sagu
 
Vi uma dica interessante para requintar a salada de frutas, inclusive, para chamar a atenção de crianças: o sagu. Sei que na maioria das vezes passamos pelo sagu nas gôndolas do supermercado e nem damos bolas, nem sabemos fazer direito, etc. 
 
Pois, com a salada de frutas pode se dar um bom início. Henrique Fogaça dá a dica.
 
Deve-se cozinhar o sagu por vinte minutos e trocar água para cozinhar mais vinte minutos. Essa dica é ótima para retirar impurezas e apurar o sabor. Deve-se dar o choque de temperatura no sagu, retira-se da água fervente, escorre-se e joga-o numa bacia com gelo, assim ele preserva melhor a forma. 
 
O sagu não tem gosto, é preciso temperar, nesse caso a dica é uma calda de coco feita com leite de coco, leite e açúcar a gosto, é só ferver tudo. O sagu fica no fundo das tacinhas, as frutas, picadas por cima, quanto mais colorido melhor.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários