Enfim consigo escrever essa crônica, enfim consegui ir aonde deveria já ter ido, quer fosse por obrigações profissionais ou até, porque não, pela gostosa obrigação que tenho semanalmente com meus leitores. Quando fiz a retrospectiva, claro, me apoiei em quem confio, seja ele verdadeiro ou não. O bom ou o ruim tem uma margem grande para descompasso, é preciso seguir um facho, sem temer aonde possa te levar.
E houve quem dissesse que uma coisa boa na gastronomia em 2015 responde pelo nome de Jiquitaia. Não sei quantas vezes marquei para ir até esse restaurante e por algum motivo não fui, quando o vi elevado à categoria de criador responsável pelo frescor do ano, bati o pé comigo mesmo e me impus esse saboroso dever.
Bem, vamos ao chef, o nome dele é Marcelo Bastos e, como eu, é um advogado que decidiu mudar completamente de ares, assim como eu, é do Paraná e eu adorei as coincidências. Ano passado foi escolhido como o segundo melhor chef na categoria revelação, pela Comer & Beber, publicação da Veja. Seu sucesso advém de seu talento, mas seu carisma responde por outro nome: Comida barata. Ele caiu nas graças dos críticos e do público porque seu interesse é oferecer o melhor que se possa dentro de um preço bem razoável. E claro, eles acertaram, digo eles porque ele é advogado, mas tem uma irmã e sócia que é economista e demonstrou ter approach.
Pois bem, vamos agora a minha experiência. A primeira coisa é ir devagar, literalmente, porque o sobrado, onde se localiza o restaurante, não é bem visível, tem um ponto de ônibus bem em frente e dificulta ver a placa. Depois, pode-se e deve-se fazer reserva, porque está sempre lotado. E por fim, não é restaurante pra ficar de papo furado, é bom colaborar, se o cara tá fazendo o que pode para servir comida boa e barata, ele precisa de “rodar as mesas”.
Pedimos, eu e meu marido, uma saladinha verde que estava correta. Como principais ele comeu um baião vegetariano, do qual já comentei aqui na “dica” e eu fui na dobradinha. Tanto um, quanto outro estavam muito, embora a opinião do crítico Arnaldo Lorençato seja a minha também: O sal, talvez, tenha passado um pouco. Mas a umidade do baião, ao qual, acho, se deve ao quiabo e ao feijão manteiguinha, compensou. A minha dobradinha também estava rica em sabor, rica em ingredientes, para cada pedacinho de dobradinha, dois de carne seca, duas linguiças e legumes e caldo substancioso. Os acompanhamentos: Farinha de milho e arroz.
A sobremesa, um pavê de doce de leite, outra, mousse de chocolate branco com calda de maracujá. Falo dessa, pois era bem superior àquela, muito equilibrada, cremosa, montada de forma elegante, uma quenelle branca numa piscina amarelo fluorescente toda pintadinha de preto. Ah! Esqueci de dizer: Sobre a mesa fica a jiquitaia, uma pimenta poderosa diretamente da Amazônia, especialmente para os fortes e bons. Enfim, vale muito mesmo a visita.
DICA DA SEMANA
Acelga
Uma vez comi um salgadinho com recheio de acelga e não dava para acreditar que fosse só acelga, de tão gostoso. Daí, esbarrei dias desses com uma receita de torta recheada só com acelga e cheia de sabor.
O segredo é a manteiga. Para uma cabeça grande de acelga, 4 colheres de sopa de manteiga, sem dó. A acelga deve ser murcha nessa manteiga derretida, então acrescente sal e pimenta do reino. Desligue o fogo e finalize com o caldo e as raspas de um limão. Esse recheio serve para qualquer massa, é gostoso e leve. Podeacrescentar cebola e alho poró.
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