Ruy Castro falou de Frank Sinatra (Folha de S. Paulo, Ilustrada 12/12) como se cantasse, daqueles textos que, há alguns anos, a gente recortaria. Ele se disse impressionado com a manifestação de genialidade por alguém que dispõe apenas da voz e do ar para produzir uma obra monumental – por sua vez, Ruy Castro precisou de uma canetinha. Sinatra é unanimidade sem qualquer traço de burrice, é simplesmente inexplicável a magia de conseguir agradar a todo mundo. Frank Sinatra é parte da vida de muita gente, quase como se fosse “um de casa”, porque apreciamos ter músicas como tema dos acontecimentos da vida - é uma maneira segura de eternizar lembranças que teimam fugir, quando recrutamos todos os sentidos para sentirem juntos, irrigamos as raízes das memórias.
Frank Sinatra não embalou meus amores, minha mãe preferiu Elvis, mas ainda assim, um ponto fora da curva o trouxe para perto de mim. Tenho uma amiga, vinte anos mais jovem que eu, nos encontramos em Campos do Jordão em tempos diferentes da vida, que não prejudicaram a convivência. Almoçávamos juntas, mas era no trajeto, entre o Senac e o restaurante, o ponto alto do passeio, invariavelmente ouvíamos Sinatra e o deixávamos escapar através dos vidros e teto abertos, o vento gelado jamais nos intimidou. Julgo como uma travessura adolescente que a minha madureza não censurou.
Há inúmeras biografias do cantor, vida mais interessante, difícil, várias obras serão relançadas em comemoração ao aniversário de 100 anos que o cantor faria. E, para além de Ava Gardner, um dos seus grandes amores, foi um grande apreciador da boa vida e boa comida. Alguns pratos ficaram marcados como seu. As almôndegas com migalhas de pão, carne de boi e porco mais parmesão foi um deles. O espaguete ao sugo parece ter sido um hit: Sinatra o preparava para manter bem perto os muitos amigos que amou.
Mas o mais incrível é que o “Blue Eyes” chegou a lançar um livro de receitas! E a gente achando o máximo os astros de hoje lançarem livros culinários...Dizem até que os hábitos culinários dele foram copiados Estados Unidos afora. Pelo que li, acho essa parte meio exagerada, é que um diz, o outro afirma, sabem como é. Sinatra era descendente de italiano, logo, a mãe cozinheira, de bom repertório, executava receitas italianas deliciosas, que ele ajudou a divulgar. Naquela época, um vitelo à milanesa, uma berinjela parmegiana, causavam um certo furor.
O livro que Sinatra escreveu se chamava Celebrity Cookbook, um verdadeiro clássico.
DICA DA SEMANA
Farofa
Posso dizer sem medo de errar que na nossa região muita gente curte muito uma farofinha. Nordestinos, mineiros, paulistas, não importa, a farofa não é patrimônio de nenhuma etnia.
Para se fazer uma boa farofa, acho eu, uma boa dica é a mistura de tipos diferentes de farinha. Antes disso: Para saber se a sua farinha é boa ou não, esprema-a na mão, abra, se ela sustentar um formato é boa, se se desmanchar na hora é “areia”, infelizmente quase todas as farinhas que temos acesso por aqui, se desmancharão na hora.
Pois bem, misture farinha de milho, farinha de mandioca, até farinha de pão. Pode ser na mesma proporção. E o detalhe crucial: A gordura. Não há que se ter economia, mas também não pode virar pirão. Uma boa medida é 500 gr de farinha, 100 gr de gordura.
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