É pouco provável que as descobertas ou criações geniais da humanidade se deem de forma isolada, num canto qualquer do mundo sem que outros homens estejam naquele mesmo momento tentando realizar algo parecido. É engraçado, não? “É costume da Natureza, quando ela cria um homem que realmente excede em alguma profissão, muitas vezes não criá-lo sozinho, mas produzir outro ao mesmo tempo e num lugar vizinho para competir com ele”. A frase é do principal biógrafo do Renascimento Italiano, Giorgio Vasari. Digo isso porque me intriga a razão de tantos povos, distantes, isolados, criarem comidas correspondentes, como se houvesse um chamado geral de competição para uma grande mostra.
Nessa esteira, o pão talvez seja o grande prato: todo o mundo fez e faz pão. Mas o mais interessante é que podemos aprofundar um pouquinho e dizer, por exemplo, todo povo de tradição culinária fez e faz pão chato. Israel faz o Matzá; a Armênia, o Lavash; a Itália faz a Carta di Musica, a Focaccia, a Pizza; a China, o Shaobing; a Índia, o Chapati; o México, as Tortillas, e tantos outros. São pães chatos porque não crescem, porque têm pouca ou nenhuma fermentação. Mas a lista cresce à medida que aumentamos a fermentação dos pães. Há mais de seis mil anos esses fungos fazem festa nos pães, intrigando padeiros e donas de casa, e só há bem pouco tempo, 150 anos, nós aprendemos a controlá-los e aprisionar seus gases a nosso favor e, com isso, pudemos dar asas às mais belas criações culinárias.
Longe de casa, tomando meu café da manhã, observo as pessoas se digladiarem por mais um pedaço de focaccia de azeitonas - durante os quatro dias em que me sentei ali, foi a mesma coisa, o pão preferido dos comensais foi a focaccia. Tive um ímpeto de palestrar sobre a ciência por trás daquele pão de fermentação rápida e leve, chamar a atenção para as ondulações na superfície que são as digitais do padeiro, que espalhou a massa numa forma e com os dedos fez pocinhas na massa, para represar o azeite de oliva espalhado abundantemente na superfície, que irrigará e dará aquele acabamento acetinado ao pão. Pode-se acrescentar um pouco d’água também. E por último, azeitonas verdes. O correto é que ela esteja crocante, meio frita por fora e macia por dentro. Diz-se ser perfeita para o café da manhã - sim, é verdade. E pede-se: deve ser saboreada sozinha, nada de colocar queijinho, salame ou presunto. Afinal, esse pão já traz na massa uma excelente companhia.
DICA DA SEMANA
Atemoia
Procurei alguma receita que utilizasse atemoia e achei uma interessante. Um pudim que é na verdade uma simples substituição, uma receita boa, simples e básica que aceita quase qualquer coisa.
Se você pegar uma lata de leite condensado, uma lata de creme de leite sem soro com um envelope de gelatina sem sabor e bater no liquidificador, você poderá ter uma mousse com vários sabores: maracujá, caju, uva, etc. Para tanto, é só acrescentar uma latinha de suco concentrado de qual escolher.
No nosso caso aqui, uma alternativa saudável é a polpa de seis atemoias, branca ou pink. Só tenha cuidado com a hidratação da gelatina, faça exatamente como manda o verso do envelope e cuidado para não colocá-la quente, em líquido gelado, espere que as temperaturas estejam próximas.
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