Meu respeito e admiração nada valem diante da nobre envergadura da professora Regina Helena Bastianini, ainda assim ouso admirá-la. A mim parece que Regina é mulher das não concessões ao caráter, à dignidade, ao dever. Sinto-me profundamente grata aos ensinamentos que ela dedica a minha filha semanalmente há quase três anos. As lições vão além do cognitivo, não é raro a Júlia dizer: “Preciso saber o que a Regina pensa sobre isso...”
Pois bem, a Regina me deu um livro de presente, acho que o título se ligou a mim e a minha profissão, advirto logo que, nesse caso, meu juízo de valor quanto ao escritor, à obra, fica prejudicado - liguei a chave do “vou gostar” devido às mãos que me entregaram. Presente bom porque nada sabia sobre o livro e/ou o escritor que não é nenhum novato e tem já carreira firme na escrita, Francisco José Alonso Vellozo Azevedo.
O Arroz de Palma (arroz, o cereal e Palma, o nome da tia querida) é a narração de uma quase saga familiar, através dos olhos de um único personagem: Um velho de 88 anos que, da cozinha de sua casa, está a preparar um grande almoço. Também por isso divaga - e as suas memórias, contadas diretamente ao leitor, são o livro.
Ele remonta ao seu nascimento, capítulo dos melhores, aliás, supõe o gosto do leite do peito da mãe, o cheiro do bicho mãe, a sensualidade desavergonhada que é sugar o peito da mãe, penso que o ato de amamentar se localiza no paraíso, antes da expulsão de Adão e Eva. Lembra a primeira infância, o bolo de fubá da mãe, o café coado, as festas da roça. Mas o livro nos interessa aqui porque é uma trança onde as pontas são: comida, família e amor. O escritor é cuidadoso e faz graça ao substituir os adjetivos ordinários, já cansados de iluminar sempre uma mesma palavra, e são postos a prova de fazerem sentido em outras paragens - e o caldo não entorna.
O livro é bom porque, embora se trate de uma ficção da vida de uma família, não houve a intenção de lições altruístas, mas sim a apresentação de uma cesta multicolorida com frutas e legumes, ora verdes, outros já passados, alguns lustrosos a dar inveja em todo o mundo. E a sempre presença da fraqueza anêmica que acomete o ser humano que adia para amanhã a mesa posta de afeto.
O livro é bom, sobretudo, porque não há desfecho sensacional, é fogo brando, porque quando alguém aos 88 anos de idade se dispõe a contar sua vida, é fácil adivinhar as perdas. A proposta é saborear, meio que ruminar a vida como qualquer pessoa que nasce, cresce, ama, erra, envelhece e, porque não, morre.
DICA DA SEMANA
Frutas
Parece besteira se falar em saladas de frutas porque são banais, a capacidade de nossa terra, digo Brasil, é fantástica, logo tem-se quase sempre uma imensa variedade. Mas agora, perto já do fim do ano, uma visita ao varejão está dando gosto.
Aproveitem a época para fazer uma bela salada de frutas. A dica é ter 6 tipos de frutas diferentes para riqueza de sabor e cor, escolha cores contrastantes. A manga, o kiwi, o morango, a uva, o pêssego pingo de mel, a nectarina, as ameixas. Pode-se cozinhar ligeiramente as ameixas e pêssegos em calda de açúcar.
Permita-se uma bola de sorvete e uma colherada de chantilly de creme de leite fresco. Quando bem montada uma simples salada de frutas pode se transformar numa grande sobremesa.
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