Combinado não sai caro. Fizemos um acordo enquanto estávamos por aqui, antes de sermos tomados por emoções incontroláveis. Chegamos à conclusão que um jantar, num restaurante daqueles estrelados, estaria de ótimo tamanho. Quis o destino que não fosse um jantar, mas um almoço, porque a descrição do lugar me convenceu de que a luz do dia deixaria tudo ainda mais bonito. Localizado no alto da colina, rodeado por oliveiras e parreiras, um jardim mediterrâneo, cheio de ervas, enfim, toda aquela coisa que faz da gente sonâmbulos conduzidos que só sabem dizer: sim!
Ali revi uma coisa que há muito não via: o cardápio entregue à mulher não tem preço. Embora entenda a gentileza, em tempos de feminicídio, empoderamento e misoginia, atitudes assim podem ser ofensivas - afinal, não se pode mais saber quem vai pagar a conta. Além disso, pode ser que a mulher prefira não ser alijada dos valores que a família gasta.
A outra coisa, essa eu não conhecia: pagar um valor pelo prazer de se sentar naquele ambiente, naquela mesa. Claro que um restaurante de nível Michelin tem mesas, cadeiras e salão impecáveis - e isso é um grande prazer, sobretudo para quem ama isso. Mas ver na conta cobrados 30 euros to pleasure of the table foi engraçadinho...
A propriedade é mais que isso, é o que se chama Relais, há um pequeno hotel, com serviços de primeira que prefere atenção e cuidado ao luxo, similar aos nossos hotéis de charme. E tanto o restaurante como o hotel são atrativos que se complementam. Lembrei-me do sonho do chef João Roberto, de Ribeirão Preto, do extinto La Pyramide, de construir no terreno dos fundos do restaurante dois aposentos, que serviriam aos clientes de fora.
Outra coisa que chama bastante atenção é que, por mais elegantes que os serviços sejam, há uma grande deferência à terra e aos frutos que dão. Tivemos sorte e chegamos na hora que uma turma de compradores de vinho, de diversas partes do mundo, se acomodava para receber as explicações sobre a produção de vinho e azeite do Relais, os donos, pai e filho, “nos contaram” que a natureza continua no domínio, que as azeitonas do ano passado caíram todas, de uma vez, e que as uvas se encheram de água e que ficaram sem vinho e sem azeite. Mas que esse ano prometia ser grande: os frutos estavam prefeitos.
Escolhemos como entrada uma salada de folhas com cubos de atum, que vieram espetados em galhos de rosas do jardim. Meu prato principal foi um ravióli recheado com queijo taleggio num molho de grão de bico, meu marido repetiu o atum. Minha sobremesa: composição de sorvete, creme e chocolate. Impecável!
Il Falconieri, o nome do restaurante, é ainda o nome que se dá ao homem que cria ou adestra falcões: além de tudo o que se pode ver de belo e de bom para comer, o dono do lugar também dá um breve curso sobre a antiga arte de adestrar falcões. Segundo ele, alguns desses belos pássaros, que sobrevoam a propriedade, velam pela família há muitos anos. Gente, é tudo verdade!
DICA DA SEMANA
Peito de frango
Temos feito alguns testes com o peito de frango para encontrar a melhor maneira de deixá-lo mais suculento ou menos seco. Embora, muita gente goste dele sequinho mesmo.
A primeira coisa: compre os peitos inteiros ou às metades, esqueça os filezinhos, assim você terá uma parte mais alta que preserva o suco. Com relação a marinada, ainda não encontramos a melhor forma, naturalmente, deve ter coisa melhor nos esperando. Mas já descobrimos o que não fazer. Por exemplo, o soro às avessas com mais sal que açúcar funciona muito bem para frango inteiro, no caso do peito, nem pensar em pôr sal para deixar de molho, ele desidrata.
Até o momento, a melhor marinada foi: suco de laranja, azeite, alho e alecrim. O azeite deve ser suficiente para besuntar todos os peitos. São necessários apenas vinte minutos para dar um gostinho, mas se quiser deixar umas duas horas fica melhor.
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