Há muito tempo, uma notícia comestível não causava tanto reboliço. Lembrei-me do ovo, cujo diagnóstico de que o consumo era perigoso produziu até poema e dos bons. Confesso que fiquei surpresa porque, quando olho para um bacon, vejo que ele faz mal à saúde, sei lá se é sugestão cultural ou se está escrito na testa dele que ele é do mal, embora gostoso, eu aceito... A apresentadora Fátima Bernardes, temendo arranhar a sua imagem, rompeu parte de seu milionário contrato com a Seara e deixou de anunciar bacon e presunto. Parece que agora é só frango...
Mas o que disse exatamente a OMS, melhor dizendo, a WHO (World Health Organization) sobre a carne processada?
Muito bem, há cerca de 10 anos, sob os cuidados da OMS, foi criada uma agência: World Health Assembly - um órgão independente que estuda as possíveis ligações envolvidas no aumento da incidência do câncer. Por isso, há dias essa agência divulgou um trabalho que liga o aparecimento do câncer colo-retal com o consumo de carne processada. Daí, assistimos ao linchamento público das linguiças, salsichas, bacons e presuntos.
Na verdade, parece que faltou bom senso enquanto sobraram acessos ao trabalho, esse é o tipo de notícia que voa, é a internet cumprindo seu papel de levar a “informação” cada vez mais rápido. Tanto que essa mesma recomendação já havia sido dada em 2002! De forma idêntica, a agência recomendava a moderação no consumo de carnes processadas. Não houve a indicação de não consumo, mas de moderação.
Por ora, parece que as pessoas resolveram suspender o assunto bacon e presunto, já que a grita foi tanta. O caso de maior destaque na imprensa é o da Espanha. O espanhol consome cerca de 60 quilos de carne por ano, e a geração de negócios envolvendo toda a cadeia de carne é de cerca de 22 bilhões de euros ao ano. Ou seja, um susto desses pode ter reflexos na economia de um país como a Espanha.
Portanto, no início do ano de 2016, um grupo de especialistas da WHO, que avalia as ligações entre dieta e doença, vai se reunir e editar uma nota mais específica, que vise esclarecer o impacto, na saúde pública, das últimas descobertas da ciência. E, melhor, vai emitir uma nota sobre qual é o papel da carne processada, bem como da carne vermelha dentro do contexto geral de uma dieta saudável.
Até lá, e francamente por tudo o que já vimos entre idas e vindas da nutrição, não precisamos de órgão ou agência alguma para sabermos que a moderação é ouro, virtude aristotélica atualizável. Encher um prato de carne é insano para nós. Dráuzio Varella, moderado e ponderado, sentenciou: “Não fume jamais, não engorde, faça atividade física, beba e coma carnes, moderadamente”.
DICA DA SEMANA
Coloração
Os ovos brancos não se misturam com os marrons, porque tem gente que só compra ovos brancos e outras que preferem os marrons. Mas, afinal, há alguma lógica nisso? Não que eu saiba, porque do ponto de vista nutricional e sabor, eles são idênticos e quanto ao tamanho, isso também varia, tem dias que um está maior, noutro, são aqueles outros. De fato, a casca do ovo marrom é mais dura que a do ovo branco, é só.
A diferença de coloração se explica unicamente pela herança genética de cada galinha, assim como o ovo de codorna é pintadinho, as galinhas chinesas botam ovos pintados de amarelo, e a galinha chilena, a araucana, põe ovos azuis, e quando cruzada com as que botam ovos marrons, tem-se ovos verdes, mas tudo questão de pigmentação ou de falta dela, como é o caso dos ovos brancos.
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