Pastilhas e suas companhias


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Puxei conversa com a moça do balcão e lhe confidenciei a vontade de experimentar essas pastilhas. Ela se empolgou e me mostrou outras balas, de pétalas de rosas, folhas e brotinhos. Ganhei uma de cada para meu café
Puxei conversa com a moça do balcão e lhe confidenciei a vontade de experimentar essas pastilhas. Ela se empolgou e me mostrou outras balas, de pétalas de rosas, folhas e brotinhos. Ganhei uma de cada para meu café
As raras vezes em que me deparei com as palavras “pastilhas de violeta”, elas estavam imersas numa bruma de romantismo. Izabel Allende tinha uma tia, a Teresa, que era meio gente, meio anjo, estava sempre envolta no inebriante cheiro de pastilhas de violetas, que ficavam guardadas num estojo de latinha e eram distribuídas, sem dó, às crianças.
 
O perfume do sexo de Josefina Bonaparte, lenda de além-túmulo de Napoleão Bonaparte, era perfume de violeta fresca, capaz de emitir um perfume forte, mas que desaparece rapidamente sem deixar rastros, sem impregnar, apenas delicia. Violetas também foram o segredo de sedução das cortesãs gregas, que as utilizavam para refrescar, além de toda a pele, o hálito e assim afastar a tristeza dos homens velhos e incendiar os jovens, que tristeza nenhuma tinham para afugentar. E assim, seguia eu sem conhecer essas violetas cheirosas, misteriosas. As pastilhas ou balas nem pensar, jamais as vi por aqui. 
 
Pois então, a ansiedade é peça que não carrego mais para nenhuma viagem. A internet é uma benção para a gente conhecer lugares que se tornaram alcançáveis demais para a multidão de seres humanos que desejam ver a mesma coisa, retirando da gente a possibilidade de se emocionar. Fazer o quê? Reclamar disso é se achar com mais direitos do que os outros. A saída boa é que fora desses locais de interesse, as cidades continuam sendo elas próprias, aceitando calorosamente os seus transeuntes - e foi assim que acabei num café cuja mesa não dava três palmos, os balcões de doces feitos de madeira com vidros bisotados se insinuaram confidentes para mim: “aqui estão as suas pastilhas de violeta...” E eu fiquei muito feliz.
 
Ali elas se chamam caramelita de viola e estavam acompanhadas por outras caramelitas lindamente coloridas. Puxei conversa com a moça do balcão e lhe confidenciei minha vontade de experimentar essas pastilhas. Ela se empolgou e, orgulhosa, me mostrou outras balas, feitas de pétalas de rosas, folhas de rosas e brotinhos de rosa. Ganhei uma de cada para acompanhar meu café. Nem sei por quanto tempo permaneci ali, o lugar era convidativo, esforço algum foi preciso para que me entregasse a devaneios. Já disse que a mesa era muito pequena, mas somos fluidas, o que me permitiu convidar: Josefina, Izabel Allende, tia Tereza para um café da tarde, num beco do centro velho da cidade de janelas verdes. 
 
 
DICA DA SEMANA
 
Bolo
 
Acontece uma coisa irritante quando queremos colocar alguma fruta ou castanha num bolo e elas simplesmente descem todas para o fundo da forma. 
 
Para que isso não aconteça é bom que se saiba que massas moles com leite não seguram essas frutas. Isso só dá certo quando a massa é do tipo bolo inglês, daquelas que se tira às colheradas. Se a massa é mole, aceite e coloque você mesma as frutas já no fundo da forma.

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