O lanche e a ilha


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Descobrir a delícia do dia, contida na caixa, era apenas um dos bons momentos daquele lugar
Descobrir a delícia do dia, contida na caixa, era apenas um dos bons momentos daquele lugar
Eles foram a última dupla a subir no barco ao fim do mergulho. A correnteza estava especialmente forte lá embaixo, naquela tarde. O instrutor preferiu encurtar o mergulho e, à medida que as duplas iam ficando com pouco gás, eram mandadas para cima. Com isso, ela sabia que seriam a última dupla a subir. Rapidamente, ela tirou a incômoda roupa de mergulho, ansiosa por sentir o calor do sol cálido. Reinava uma estranha paz de um século no barco. Olhou para todo mundo e todos lhe sorriram de volta, a velocidade do barco amaciava as ondas, duplas de pernas se estendiam a frente, os cotovelos se emparelhavam na borda do barco, as cabeças pendiam, os cabelos eram acariciados pelo vento. Mulheres e homens descalços, exceto o Fabio, um italiano de pés 44, que exibia a sua Melissa Cristal - aquilo era uma piada, e ele nem era gay. Cada casal levava consigo um pequeno isopor com um lanche dentro, preparado pela pousada de cada qual. Descobrir a delícia do dia, contida na caixa, era apenas um dos bons momentos daquela ilha. Além do lanche, um chocolate, duas cervejas e dois sucos. E quase sempre o lanche eram os wraps. 
 
Os modernos lanches chamados wraps são feitos, preferencialmente, a partir do pão folha, um alimento simples, que de modo interessante está na contramão do extremo refinamento e enriquecimento das farinhas que produzem pães saborosos e macios. Mas os pães chatos têm um charme, digamos, ancestral: eles já estavam presentes na vida dos homens da Idade da Pedra que dispunham de cereais para se alimentarem, é o caso do pão pita dos gregos. No nosso caso, o pão folha, quando encontramos, é aquele bem fino, que se dobra sem partir, de origem árabe. Diferente, portanto, do pão sírio que é mais gordinho e fermentado. Algumas marcas comerciais utilizam o termo wrap, mesmo quando não se trata do lanche pronto, mas apenas da massa, há uma certa confusão. Mas o interessante dessa massa é a versatilidade, pode-se colocar quase qualquer coisa dentro dela e carregar, ao melhor estilo piquenique. 
 
O interior do lanche daquela tarde era de cor maravilha, algo que denunciou a beterraba. Havia algo de hipnotizante em olhar o lanche, perfeitamente cortado em diagonais, o céu, o mar, as gotas de água na Melissa Cristal. Haviam folhas bem verdes no lanche: agrião. Uns pontos no queijo borrados de verde falavam ser gorgonzola, ou blue cheese; pequenos corpos verdes e marrons destoavam da a maciez circundante: pistaches e nozes, quem sabe? Depois de alguns minutos ela achou que comer o lanche poderia colocar em risco a composição da cena, preferiu guardá-lo e percebeu que todos no barco a admiraram por isso. Se para ela, aquele momento foi um ponto distinto no tempo, é quase certo que o foi também para os outros. 
 
 
DICA DA SEMANA
 
Frango
 
A Rita Lobo tem sempre boas dicas para se fazer um bom frango. Já passei para vocês aqui uma dica dela de marinada em soro caseiro: água, açúcar e sal, numa proporção de 1 colher de sopa de sal, uma colher de chá de açúcar, água o quanto baste para cobrir. Deixar por apenas 30 minutos, senão resseca. O resultado é surpreendente. Lembrando apenas que o frango tem que ser lavado depois, ao contrário de uma marinada simples que basta escorrer.
 
Dia desses testei outra dica dela que é a marinada em suco de laranja. Funcionou muito bem. 1 xícara de suco de laranja, ¼ de xícara de azeite e alho, essa quantidade dá para 4 filés ou 2 peitos de frango. O tempo de descanso é: 20 a 30 minutos. 
 
Tanto uma como outra tem a intenção de deixar a carne mais suculenta, cheia de água por dentro sem que fique crua, devendo dourar por fora. Para os apreciadores de carnes tostadas ou filezinhos achatados os recursos não têm serventia. 

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