Quando a festa é em casa


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As bancadas da cozinha não são suficientes para todos que ajudam, as assadeiras são emprestadas... mas há no ar o anúncio: hoje tem festa!
As bancadas da cozinha não são suficientes para todos que ajudam, as assadeiras são emprestadas... mas há no ar o anúncio: hoje tem festa!
Temos um restaurante que serve pratos individuais, logo, pensamos individualmente a comida para servir o indivíduo. Por isso, é tão difícil quando temos o encargo do evento, porque nos obriga a pensar coletivamente o indivíduo. Ele deixar de ser o “ser” dotado de preferências que, a princípio, serão atendidas, para se tornar “a maioria”. Por outro lado, a feitura coletiva das preparações dá um ânimo novo à cozinha - se a conversa fosse doméstica, diria que nos transformamos naquelas cozinhas alegres do pernil, da leitoa, do frango assado com farofa...As bancadas da cozinha não chegam, as assadeiras são emprestadas, o forno, elétrico e a gás ligados, e as chamas do fogão que assistem, incansáveis, a troca interminável de fundos diferentes de panela. Mas há no ar o anúncio: hoje tem festa.
 
Dessa vez optamos por um cardápio que fosse fácil de comer, um não ingrediente está tão em alta, que nos curvamos a ele: a temperatura desses dias. A combinação comida e vinho, capaz de nos deixar felizes, é também um combustível poderoso. Por isso, um peixe e uma massa, além de uma sobremesa fresca, foi nossa maior preocupação. 
 
Fritura de menos, o peixe foi assado, os filés espalhados numa enorme forma de alumínio bem grosso. Embaixo deles uma cama perfumada, generosa, que assoprou pacientemente, toda uma manhã, seus véus de perfume e sabor. Filés, bem sequinhos no papel toalha, recebem a chuva de pimenta preta moída na hora, depois o sal em cristais exibidos, que ao toque dos dentes se dissolvem, mas não sem antes dizer: sou eu, o sal. Por último o azeite extra-virgem, que poderia ser melhor - quisera eu me lembrar das folhas amargas e prateadas das oliveiras, dos troncos e galhos cheios de experiências todas as vezes que bebo um pouco de azeite. Mas está bom, né, quem não se lembra do tempo que só tínhamos óleo Maria?!
 
O recheio da massa é nosso mais novo orgulho, um queijo cremoso, feito artesanalmente, pela minha irmã. Claro, não é o melhor queijo cremoso que nós já comemos, mas é o melhor queijo cremoso que nosso leite, tão pobre em gordura, é capaz de nos dar. E sem artifícios. O tempero é a parte lúdica, porque aceita tudo, inclusive o mel, a geleia. Mas é a hortelã que nos transporta a mundos só visitados pelos sabores, é incrível como ele evoca o cominho, a berinjela, a romã. Acho que perdemos de fato o juízo e, à guisa de elevar o status do nosso magro queijo, começamos a sentir diferença de gosto no queijo da semana passada com o de hoje, ou o de quinze dias atrás. 
 
Bem, a barra do meu Windows mostra que já é hora do último parágrafo, enquanto finalizo aqui, minha irmã e sua fiel ajudante e amiga Dani estão enfileirando pratos, montados peixes, mergulhando massas em molhos de ragu, não sei. Sei que ainda é cedo para a sobremesa, mas tarde para a saladinha. Dispensaram a minha ajuda, seguras que estão dos sabores. Mas pensando bem, tomara que não estejam me achando velha demais para uma boa e velha badalação. 
 
 
DICA DA SEMANA
 
Alho
 
Já comentei com vocês sobre a dificuldade de se trabalhar bem com o alho. Muita gente prefere fazer aquele pote com alho e guardar na geladeira. De fato é prático, também faço isso para as emergências, mas não é o ideal, muda o sabor. De qualquer forma, se for para fazer, certifique-se de que o óleo esteja um nível acima do alho, isso evita que ele oxide. E, também, faça o suficiente para uma semana, que já ajuda bem.
 
Outra dica é parti-lo ao meio e retirar o germinador (o “rabinho”que ele tem dentro e que seria o novo alho, caso ele estivesse plantado). Quando o alho está bom, esse germinador é quase imperceptível, a medida que o alho fica velho o germinado cresce. As vezes ele salta para fora do alho, daí, a gente até usa, mas o alho não está bom.
 
E por fim, quando for dourar o alho prefira as seguintes gorduras:primeiro a manteiga, depois o azeite e por último o óleo. O óleo o queima rápido. De qualquer forma, no azeite ou no óleo, se você colocar um pouco de manteiga já obterá um resultado melhor. 

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