Principais coberturas (9)


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Crianças posam para nossas lentes durante a Copa do Mundo da África, em 2010. Equipe do Comércio da Franca ficou no país por 78 dias cobrindo o evento
Crianças posam para nossas lentes durante a Copa do Mundo da África, em 2010. Equipe do Comércio da Franca ficou no país por 78 dias cobrindo o evento
Começa 2007. Estamos no final de janeiro. Um temporal afeta o sistema de abastecimento, e Franca fica sem água por dias. Uma sapateira vai com o filho buscar água na bica em um terreno onde há um prédio em construção abandonado, no São José. Do nada, o garoto que tinha 7 anos cai no poço com 10 metros de profundidade. Ele não sabe nadar. A MÃE, DESESPERADA, PULA E SALVA A CRIANÇA. A sequência dramática é registrada pelas lentes do nosso repórter fotográfico Tiago Brandão. Sete imagens ganham nossa capa, ganham a imprensa do país, ganham o PRÊMIO ESSO - a mais importante premiação do jornalismo brasileiro. Ganhamos nosso principal prêmio, o “Oscar do jornalismo”.
 
Os últimos anos da primeira década do novo milênio ainda nos reservavam histórias macabras. No dia 24 de outubro de 2008, uma equipe nossa estava no Centro da cidade e se deparou com viaturas, policiais e curiosos em frente a uma casa na rua Ouvidor Freire. A informação era de que um homem mantinha ali a família refém. Mais tarde, a confirmação de um dos crimes mais bárbaros da história de Franca que já noticiamos.  O ex-seminarista Hélder Rezende, então com 46 anos, atirou contra sua mulher, a cabeleireira Valéria Freitas, os três filhos (as gêmeas Júlia e Letícia, 10, e Alexandre, 7), sua mãe Lourdes Massucato, 75, e se matou com um tiro na testa. Mais repórteres e fotógrafos foram escalados para a cobertura. Entrevistamos policiais, médicos, vizinhos e familiares. Valéria e Júlia, com sequelas, sobreviveram. Em janeiro do ano seguinte, Valéria decidiu nos dar uma entrevista exclusiva. Narrou o drama, a dor. Pediu ajuda. Fizemos um dia de promoção de assinaturas e doamos o valor arrecadado para a cabeleireira e sua filha, as sobreviventes da “Chacina da Ouvidor Freire”.
 
Em 2010, mais um caso publicado com exclusividade por nós ganharia repercussão nacional. Com a manchete “Denúncia de pedofilia assombra Diocese de Franca”, no dia 25 de março de 2010, demos início a uma série de reportagens sobre as acusações de abuso sexual contra o padre José Afonso Dé, então com 76 anos. Quatro meninos, que tinham entre 13 e 16 anos, acusavam o sacerdote de passar a mão em suas partes íntimas. Entrevistamos os garotos, o próprio padre, outros padres, o bispo, os fiéis, a delegada. Fomos além, percorreremos quase 3 mil quilômetros para entrevistar outras supostas vítimas do padre em Apucarana e Curitiba, no Paraná, e em Iturama e São Sebastião do Pontal, em Minas Gerais. Foram edições seguidas sobre o caso. Em 2011, padre Dé foi condenado pela Justiça a 60 anos e 8 meses de reclusão por estupro e atentado violento ao pudor. Mas nunca foi para a cadeia. Hoje, recursa em liberdade.
 
2010 também foi ano de Copa do Mundo de Futebol. Foi ano da Copa da África. Para acompanhar os bastidores da competição, enviamos um repórter e um fotógrafo à África do Sul. Eles percorreram o país durante 78 dias. Além de cenas exclusivas do treinamento da seleção brasileira, seus jogos e entrevistas com jogadores, publicamos a saga dos torcedores tupiniquins e a dura realidade do povo africano. Durante 45 dias, publicamos um caderno especial que variava de 8 a 16 páginas - duas, pelo menos, sempre eram reservadas para o material de nossos garotos na África. O Brasil não ganhou a Copa, mas nós, do Comércio, marcamos um golaço.
 
Em 2011, mais uma viagem internacional. Mandamos, novamente, repórter e fotógrafo até lá para investigarem um esquema de fraude e triangulação para a entrada ilegal de calçados da China no Brasil. Denunciamos que os chineses utilizam o Paraguai como entreposto para camuflar os sapatos daquele país vendidos ao Brasil, sem pagar a sobretaxa imposta aos produtos do gigante do Oriente. A fraude torna o produto chinês mais barato que o brasileiro - concorrência desleal. Publicamos em quatro páginas a reportagem especial intitulada “Paraguai despeja ilegalmente no Brasil 5 milhões de calçados chineses”. Fomos reconhecidos pelo Prêmio CNI (Confederação Nacional da Indústria) de Jornalismo. A reportagem foi premiada na categoria Destaque Regional.

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