No início do mês de maio, a nossa editora chefe, Joelma Ospedal, me chamou até sua mesa. Tinha um pedido especial a fazer. Na verdade, um desafio: “Preciso que você registre o cotidiano da empresa para a edição dos 100 anos do Comércio”. Teria que registrar cada canto - aqueles que nunca são mostrados -, as pessoas em seu ambiente de trabalho de forma espontânea. “Preciso que o trabalho seja feito de uma forma poética, com um olhar ‘Divaldiano’”. Caramba! E aí, como proceder para fazer as imagens solicitadas? Deixei de lado o termo “Divaldiano”, pois, aceitá-lo, suporia que existe em minha fotografia uma linguagem própria. É como se quem olhasse para minhas imagens encontrasse nelas uma assinatura “invisível”. Algo só encontrado no trabalho dos grandes mestres. Ative-me, então, a duas palavras da conversa - poética e espontânea - que, quase de forma imediata, me remeteram a uma das minhas maiores influências na Fotografia: Henri Cartier-Bresson.
Nascido na cidade de Chanteloup, no distrito de Seine-et-Marne, na França, no dia 22 de agosto de 1908, Bresson foi um dos fotógrafos mais significativos do século XX. Para muitos, sua importância é tamanha que, no campo da fotografia, ele é visto como Picasso o é nas Artes Plásticas. Sobre ele, vai dizer Eder Chiodetto, um dos maiores críticos de fotografia no Brasil: “Para Cartier-Bresson, importa prioritariamente o momento breve em que, ao acaso, forma e conteúdo espreitam a composição perfeita, o diálogo inesperado entre o vivo e o inanimado, a harmonia da geometria, o olhar bem-humorado que torna lúdico o banal”. Munido desse espírito Bressoniano, parti para o trabalho.
Durante mais de um mês percorri os diversos cantos do jornal, olhei para os meus colegas de trabalho como se tivesse olhando uma primeira vez. Procurei explorar ângulos que até então tinham fugido ao meu olhar. Concentrei em cada momento como se cada instante fosse decisivo. O resultado da empreitada está nessa página e nas seguintes. Não me atrevo a fazer aqui uma análise do resultado do trabalho. Mesmo porque, acredito que isso cabe àqueles que observarem essas imagens. O grande fotógrafo francês, que morreu em 2004, disse certa vez que “fotografava por um aleatório querer saber”. Desse modo, então, a mim importa mais o conhecimento trazido por essa experiência. Ao buscar a harmonia entre o espaço físico e o humano do GCN Comunicação, encontro, ainda que instintivamente, o diálogo entre o vivo e o inanimado, a harmonia da geometria e o olhar bem-humorado que torna lúdico o banal.
Nota da Redação: Divaldo Moreira produziu mais de 600 fotos. Uma seleção ampliada das belas imagens está disponível no portal GCN.
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