Lições de desigualdade


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O livro O Capital no século XXI, lançado no Brasil em meados do ano passado, fez e continua fazendo enorme sucesso nos meios acadêmicos e entre o público em geral. 
 
Seu autor, Thomas Piketty, economista francês de 43 anos formado pela London School of Economics e pela École des Hautes Études en Sciences Sociales da França, foi professor do MIT aos 22 anos. Esteve no Brasil no final de 2014 e participou de reuniões na USP e do programa ‘Roda Viva’, da TV Cultura, com jornalistas e economistas do país. 
 
Na sua obra, Piketty afirma que ‘a distribuição da riqueza é uma das questões mais vivas e polêmicas da atualidade’. Invocando Malthus, Ricardo, Marx e o economista americano Simon Kuznets, mostra que para uns há, historicamente, concentração da riqueza e da renda e, para outros, redução da desigualdade. Baseado em pesquisa — no tempo e na geografia — conclui que ‘o crescimento econômico e a difusão do conhecimento não modificaram a estrutura do capital e da desigualdade’. Os estudos, elaborados para 20 países, não englobam o Brasil.
 
A tese desenvolvida no livro é que quando a taxa de remuneração do capital é maior que a taxa de crescimento da produção e da renda, o capitalismo produz concentração e desigualdades insustentáveis e arbitrárias. Mesmo com base em estudos otimistas como a de Kuznets nos Estados Unidos, analisando o período 1913-1948, a desigualdade na distribuição da riqueza e da renda persiste e é mais intensa nos países pobres (hoje, emergentes), fruto do jogo político, econômico e social.
 
Trazendo as lições para cá, observamos que mesmo com mecanismos artificiais de distribuição de renda, a questão continua sendo a da injustiça distributiva. 
 
Para melhorar, só a difusão de conhecimento e de competências seria capaz de elevar produtividade e diminuir desigualdade. Traduzindo, é na educação de qualidade, em todos os níveis, que está o caminho para a justiça social.
 
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
 

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