Franca no mapa
Comemorar aniversário é sempre um prazer. É sempre um momento de alegria e satisfação. É o bolo bem produzido - de preferência por uma boleira de reconhecido prestígio, dotada de bom gosto e comprovado domínio da arte -, é a reunião dos amigos para o congraçamento e comemorações por mais uma etapa conquistada na difícil existência. É a festa!
Com o jornal não é diferente. Ele é, antes de tudo, um empreendimento empresarial e, portanto, precisa produzir resultados para continuar sobrevivendo e - consequentemente - cumprir sua missão social. Tenho acompanhado a trajetória do Comércio e sou testemunha do seu êxito, de sua missão bem cumprida, do seu sucesso econômico-social na vida brasileira ao longo dos seus 99 anos de existência.
Um particular aspecto da existência do nosso jornal me chama a atenção: sua missão na vida da cidade. A meu ver, uma das mais importantes é a colocação e a defesa da nossa Franca no mapa do País. No mapa do Brasil, em sentido real e figurado. Seja na cultura, na economia, na sociedade, no progresso tecnológico, lá está o Comércio em posição de independência, liberdade e espírito público, mostrando, estrategicamente, os caminhos do desenvolvimento futuro, defendendo e valorizando posições e proposições francanas, refletindo um presente em mutação e antecipando um futuro ora glorioso, ora incerto e difícil. Mas sempre colocando em primeiro lugar os valores francanos.
Nos esportes, Franca é considerada a capital do basquete brasileiro. A modalidade tem raízes históricas bem fundamentadas, pois já revelamos um respeitável conjunto de artistas da bola que enalteceram e justificaram o respeito que conquistamos nas quadras do país ao longo dos anos. O Comércio sempre esteve lá, mostrando que nós, francanos, estávamos no mapa. E lá vamos permanecer.
Com a cobertura, os elogios e a crítica de sempre, no momento oportuno, a cidade e o jornal se fundem nas questões que a economia regional levanta. Já passamos por memoráveis etapas, como a do café, por exemplo. (A propósito, lembro-me muito bem de que nos anos 40 e 50 costumávamos ostentar nos ônibus urbanos o dístico “Franca, terra que produz o melhor café do mundo”.) Exageros à parte, a importância relativa da cafeicultura diminuiu bastante, a ferrovia que levava nosso produto para o porto de Santos desapareceu, mas a importância atribuída ao setor no jornal não diminuiu, ele continua a mostrar e a evidenciar nosso ponto no mapa da economia agrícola.
O setor industrial que caracteriza nossa cidade é o do calçado masculino. Apesar dos percalços que toda indústria brasileira vem sofrendo - da excessiva tributação aos problemas cambiais -, resistimos bravamente. E nas trincheiras do interesse nacional, lá está o Comércio, defendendo o setor e as reivindicações regionais do segmento, tratando de sustentar posições de vanguarda na cadeia produtiva do setor. A Francal, idealizada ainda nos anos 60, reúne toda a cadeia coureiro calçadista nacional para análise das tendências da moda e problemas do setor e realização de negócios. Hoje, a feira é um evento internacional, mas é bom lembrar que ela teve origem aqui nas terras do capim mimoso, vislumbrando um futuro de progresso e de bons negócios. Atualmente, a cidade passa por uma transformação na sua “vocação” industrial. Nas diferentes situações e ocasiões, o Comércio estava e está lá.
Da tradição com o Prof. Sabino Loureiro e do trabalho árduo a que se dedicaram os professores José Garcia de Freitas, Oliveiros Diniz da Silva e Alfredo Palermo, no Instituto Francano de Ensino, mantenedor da Escola Técnica de Comércio, da qual fui aluno na segunda metade dos anos 50, Thomaz Novelino, no Pestalozzi, e tantos outros, nosso setor de educação pode orgulhar-se de “estar no mapa” com universidades, centros universitários, faculdades de renome no país, enorme população universitária e muitas contribuições para o desenvolvimento nacional.
Certamente, o Comércio, jovem e esbelto nos seus 99 anos, cumprindo seu papel de “colocar e manter nossa cidade no mapa” tem a ver com toda essa onda de dinamismo, de modernidade, de progresso de uma cidade moderna que conhece sua história, preserva seus feitos e tem consciência do seu destino de metrópole regional. Metrópole da Alta Mogiana e seu portavoz, o Comércio da Franca.
Vicente P. Oliveira é economista (FEA/USP) e articulista do Comércio
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