Este Comércio da Franca tem, sim, o que comemorar. São poucos os jornais brasileiros que chegaram - ou chegarão - a 99 anos de circulação ininterrupta. Tantos referenciais pereceram, ou deixaram de publicar edições impressas, para poder sobreviver. Então, dizer que Franca, no interior do Estado de São Paulo, tem um jornal centenário neste país de pouca ou quase nenhuma leitura, mantendo-se rigorosamente vivo, provendo a cidade e a região que “jurou” defender desde sua primeira edição, é motivo de honra e orgulho.
É honra também para seus leitores, que sabem que podem contar com suas edições diárias chova ou faça sol. E é orgulho, ainda, para seus jornalistas e diretores, que, ao longo de tantas e tantas adversidades, jamais desistiram. O resultado é incontestável: o Comércio, nos seus 99 anos, começa a comemorar seu centenário - 365 dias voam - no auge da vitalidade, reconhecido pela excelência de sua produção e respeitado por seu comprometimento com a verdade. Para compor esta história, nunca deixou de ser eclético, provocativo, polêmico, contundente, sério.
O resultado é sua credibilidade. Sei a disputa que há entre jornalistas, assessorias de imprensa, comentaristas, escritores, articulistas por seu espaço editorial. Estar nele, é saber-se lido, poderosamente lido. Escrevo meus modestos artigos neste Comércio há três anos, e sei o que significa. Primeiro, pela liberdade. Nunca sofri boicote, corte ou modificação nas ideias que produzi, mesmo quando contrariei alguma posição defendida pelo veículo. Depois, pela multiplicidade de opiniões que os textos publicados proporcionam. De minha parte, publico o que penso, faço e sou. Ponho no papel minhas conquistas, derrotas, aprendizagens e erros. Recebo o feedback de incontáveis leitores, aceitando ou contradizendo. Cresço.
Quantos textos produzi e renderam polêmicas, foram parar em salas de residências e salas de aula, frutificando, acalorando-se, proporcionando reflexões lógicas e morais. Há um deles - Deus seja Louvado - sobre frase que consta de nossas cédulas de Real, mesmo sendo este um país laico, que não professa fé específica. O debate acadêmico foi estimulante e producente.
Acompanha-me também este Comércio no doutorado em argumentação e retórica - todo texto tem em si a intenção de persuadir e convencer, mesmo quando o estímulo não é claro o suficiente, ou mesmo quando a gente o produz “tentando fazê-lo a não convencer ninguém”. Acompanha-me, ainda, no exercício da advocacia, minha profissão, quando me utilizo de suas entrevistas riquíssimas de informações, conteúdo e abrangência, ou quando tomo conhecimento de fatos específicos sobre causas nas quais advogo ou tomo ciência. Está em minha vida pessoal como na de milhares e milhares que correm ao exemplar do dia disponível na garagem de casa ainda muito cedo. Chega quase a um vício, se é que há um bom vício.
Mede-se a importância do jornal também pela visitação de homens públicos de todos os partidos, correntes ou viéses, que, em Franca, não abrem mão de “passar para um café”, olhares fixos na força e penetração do veículo. Cumprimento o Comércio, seus dirigentes e funcionários de hoje, bem como os de todos os tempos. Permaneça produzindo informação real, implacável nas denúncias, livre e descompromissado de vontades político-partidárias. Que o time que faz este jornal respeite cada experiência vivida em seus 99 anos para fortalecer a travessia rumo ao futuro de gigante que é seu pelo mais absoluto direito de conquista.
Acir de Matos Gomes é advogado, professor universitário e colaborador do Comércio da Franca há três anos
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