No colorido da feira nasce uma receita nova a cada semana


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Com a ajuda da feirante Venisse Bernardes, Sonia Machiavelli escolhe alimentos frescos
Com a ajuda da feirante Venisse Bernardes, Sonia Machiavelli escolhe alimentos frescos

O cheiro das ervas frescas, o colorido das frutas e dos legumes da época recém-colhidos somados ao movimento e à mistura dos diferentes públicos que frequentam a feira livre aos domingos têm relação direta com a escolha do cardápio de muita gente para o almoço de família. Para Sonia Machiavelli, editora do Comércio da Franca e presidente do Conselho Consultivo do GCN, porém, a feira, seus produtos e essa coletividade toda tem outro significado. É ali, naqueles poucos quarteirões da Avenida Major Nicácio, que, nas manhãs de domingo, ela passeia, cheirando temperos e ervas, e escolhe, entre uma barraca e outra, a receita que publicará na sua seção Comer Bem, na edição do Comércio do próximo domingo.

Comprar essa matéria-prima na feira local tem um porquê. Entre os requisitos para a escolha do prato a ser feito, ter ingredientes de fácil acesso é item essencial. Quase tão importante quanto ter uma história que justifique a escolha.

Sonia conta que, apesar de alguns leitores duvidarem de que é ela mesma quem vai para a cozinha preparar as receitas, faz questão de nunca permitir que outra pessoa a substitua no fogão. Até hoje, 164 receitas já foram publicadas na página dominical Comer Bem - quase 70% delas salgadas. Antes da seção começar a ser publicada, Sonia já escrevia, eventualmente, sobre comida e culinária. “Às vezes as pessoas custam a acreditar que uma jornalista possa também gostar e se dedicar à cozinha, mas, para mim, esse processo é como o da escrita. O ingrediente, assim como a palavra, fica na sua cabeça e você passa a querer desenvolvê-lo como receita ou texto”, explica.

Na feira livre, onde tudo começa, essa tese é comprovada. Foi lá que Sonia comprou, por exemplo, o fubá mimoso, ingrediente principal do bolo feito e publicado há duas semanas, e a mexerica enredeira, do bolo da semana passada. É provável ainda que, em breve, os leitores da página se deliciem com alguma receita cuja matéria-prima seja o almeirão catalônia, visto o encantamento da jornalista ao encontrar a erva em uma das dezenas de barracas da feira livre. “Comprar aqui é diferente. O fubá é mais amarelo, mais fininho. A mexerica é fresca, com cheiro de recém-colhida”, disse.

Boa parte do contato com os leitores acontece também nesse ambiente. Entre um freguês e outro, a feirante Cristiane Garcia, da barraca do Machadinho, contou a Sonia que fez em casa a receita de yakisoba publicada no Comércio do dia 19 de maio. Adorou. Na democracia que é uma feira livre, com diversidade de classe social, idade, credo e raça, Sonia encontrou também a afilhada de casamento e amiga Zilda Mendes, e a colaboradora do caderno Nossas Letras Claudia Filipin, que, assim como a jornalista, estava na feira em busca de ingredientes, mas, nesse caso, para um vatapá.

“As receitas nascem na feira e não é à toa. Feira é universal, é democrática e tradicional em muitas partes do mundo. O francês tem costume de ir à feira, gosta de comprar diariamente seus ingredientes, frescos. O Marrocos tem feiras maravilhosas. É um espaço imenso, feliz, de vida mesmo. É inspirador”, afirma Sonia.

A feira não é local apenas onde a editora compra ingredientes para suas receitas publicadas. No domingo em que a reportagem acompanhou a jornalista em suas compras, sua sacola tinha hortelã para a o chá da tarde, um maço de cebolinhas picadas tão finas quanto possível, mandioca para um quibebe, pêras (ainda com os cabinhos) para uma receita com calda de chocolate e abacaxis para sobremesa do almoço de domingo.

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