Quando em um de meus textos, ano passado, referi-me ao Comércio da Franca como “Jovem aos noventa e sete anos”, não exagerava. Em sua trajetória, das páginas de jornal, no princípio, às ondas de rádio, mais tarde, e, agora, também às revistas - de apresentação primorosa - e à internet, o Grupo Corrêa Neves de Comunicação vem se renovando, rejuvenescendo, e se aprimorando. E passou a ser referência de avanço no espaço jornalístico brasileiro e internacional ao dar um passo inédito e ousado no campo da tecnologia da comunicação. Primeiro, modernizando todo o seu parque gráfico e, em seguida, promovendo, em suas novas instalações, uma inovadora integração de mídias, em que um mesmo repórter, sem sair de seu lugar, pode atender ao rádio, ao jornal e à internet - um pioneiro “cross media total”, que foi objeto de reportagem de capa da revista Negócios da Comunicação, em sua edição de número 61 (2012/2013).
Ao lado da foto de Corrêa Neves Júnior, o jovem e bem sucedido diretor-executivo do GCN e diretor responsável do jornal Comércio da Franca, a legenda: “Corrêa Neves Jr. dirige o Comércio da Franca, cujo modelo é adotado pelos grandes jornais”. Audálio Dantas, diretor-executivo da referida revista, sublinha em Editorial: “O sistema desenvolvido por Neves, que o batizou de ‘Newsplex Caipira’, hoje atrai o interesse de grandes grupos editoriais em todo o mundo. Sem grandes custos, a redação do Comércio foi redesenhada para que coubessem num mesmo ambiente redações de jornal, de rádio, revistas e portal de internet”. No miolo da revista, em destaque, a matéria especial sob o título “Cross media caipira”, assinada por Eugênio Araújo, apresenta entrevista com o jornalista Corrêa Neves Júnior. Na chamada, a assertiva: “Comércio da Franca adota sistema de integração que é copiado até por editores europeus e dos Estados Unidos”.
O jornal está, pois, comemorando em alto estilo os seus 98 anos de vida a serviço da comunicação, e comunicação e desenvolvimento caminham de mãos dadas. Já dizia Victor Hugo: “A imprensa é a imensa e sagrada locomotiva do progresso.”
Que francano não se sentiria orgulhoso ao saber que, em sua cidade, há um grupo servindo de exemplo de pioneirismo, mundo afora, em um setor tão complexo e vital na sociedade, como o da comunicação?
Se para o austro-americano Paul Watzlawick - filósofo, psicólogo (fundador do Mental Research Institute de Palo Alto, na Califórnia) e um dos mais notáveis estudiosos da Teoria da Comunicação - “é impossível não se comunicar”, para o bom jornalista é intolerável não se comunicar bem. Segundo Watzlawick, todo comportamento é uma forma de comunicação. E grande parte da comunicação ocorre abaixo do nível de consciência, ou seja, acontece automaticamente, indo muito além do que é expresso em palavras. No âmbito do jornalismo, é fundamental saber lidar com essas múltiplas manifestações comunicacionais; interpretar com sensibilidade e isenção o fato, antes de comentá-lo ou noticiá-lo. Ao jornalista cabe organizar e pontuar esse emaranhado de signos, antes de transformá-lo em texto-mensagem. O que não é fácil.
O jornalista lida com o “caos” da informação, manifestada de muitas formas, em muitos segmentos e em várias direções. O manejo dessas manifestações requer domínio do assunto e conexão perfeita com os grupos sociais que as geram e que as recebem. Além disso, os meios utilizados na publicação da notícia devem atender, cada vez melhor, às expectativas do público-alvo; adequar-se à crescente demanda do ágil, do compacto, do conciso: o tempo para a leitura é cada vez mais curto, e as áreas a serem cobertas pela informação, cada vez maiores. Daí a necessidade crescente das operações multimídia, visando à redução do espaço sem perda do conteúdo. Pelo mesmo motivo, há ainda que se facilitar ao jornalista a operação das diversas plataformas digitais. O que também não é fácil. Requer, além de trabalho árduo, conhecimento profundo das ferramentas do ofício, criatividade e coragem para encarar mudanças. Em duas palavras: competência e ousadia. Porque, “de todas as ilusões, a mais perigosa consiste em pensar que não existe mais do que uma realidade”, lembra-nos o mesmo Paul Watzlawick.
Foi acreditando nisso que o GCN encarou um desafio aparentemente insolúvel e encontrou para ele uma solução inédita, arrojada, inovadora, digna de ser copiada por grandes ícones da comunicação, no Brasil e no exterior.
Um belo presente que, em seu nonagésimo oitavo aniversário, o Comércio da Franca oferece ao jornalismo brasileiro e internacional.
Eny Miranda
médica, poeta e cronista
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