Na classe decorada e colorida da Escola Municipal de Educação Básica “Professora Maria Luzia de Andrade Barcellos”, no Jardim Paulista, as crianças se sentam em círculo no chão ao lado da professora Rosemary Carrijo. Com idades entre 4 e 5 anos, logo ficam curiosas e agitadas com o anúncio feito pela professora: “Hoje eu trouxe uma surpresa para vocês. Vou mostrar uma foto na televisão. Vocês imaginam do que seja essa imagem?” As crianças disparam os palpites: um peixe, um porco, um leão. A professora explica que o leão é parente do animal que será exibido, mas o “personagem” do dia é menor que uma onça e maior que um gato.
Depois de tentarem adivinhar o nome do animal, a professora apresenta a foto de uma jaguatirica. Logo uma aluna dispara: “É um filhotinho da onça”. Mas Rosemary, acompanhada da professora Valéria Munhoz, ensina mais sobre o felino. Com ajuda do texto publicado na coluna O bicho da vez é, do Clubinho, caderno infantil do jornal Comércio da Franca, as crianças descobrem que a jaguatirica vive em matas da região, sobe em árvores, tem no máximo três filhotes por gestação, cada um nasce pesando em média nove quilos, corre risco de desaparecer (extinção), é esperta e já apareceu em casas nas cidades. A turma também conhece, pelo jornal, que o substantivo jaguatirica é composto por duas palavras: yaguara, que significa onça, e tiryk, que é escapulir, assim jaguatirica quer dizer “onça que escapole”.
A professora Rosemary comentou que ao se aproximarem da cidade, os animais correm riscos. Com base nessa ideia, os alunos se tornaram “minirrepórteres” e escreveram uma notícia com ajuda da professora. Confira o resultado: “Em Franca, jaguatirica é atropelada próximo à escola municipal” dizia o título. E o texto narrava o fato: “Hoje, pela manhã, uma jaguatirica foi atropelada nas proximidades da Emeb “Maria Luzia de Andrade Barcellos”. Os bombeiros foram chamados para socorrê-la. E ela foi encaminhada, depois dos primeiros socorros, para o zoológico de Ribeirão Preto”.
Para encerrar a atividade, as crianças pensaram onde essa notícia poderia ser lida. “No jornal. Na internet”, respondeu Maria Karoline Silva, 4, que adora as descobertas sobre o reino animal que vivencia com o Clubinho na escola. “Gosto dessas aulas porque gosto de animais. Não conhecia a jaguatirica”, disse ela, que é uma dos 21 alunos da classe da fase I da escola.
PARCERIA
A Escola Municipal “Maria Luzia de Andrade Barcellos” é uma das 37 unidades parceiras do projeto Jornal Escola que recebem, toda semana, exemplares do Clubinho para desenvolverem atividades nas salas de aula. Na escola, mais de cem alunos, de 4 a 6 anos, têm acesso aos exemplares uma vez por semana. Os trabalhos começaram no início do ano e o balanço dos resultados é positivo. “O jornal é um recurso que temos nas aulas, um portador textual a mais que utilizamos com as crianças. É um conhecimento que não terão em casa, porque quase ninguém assina o jornal”, disse a professora Rosemary Carrijo, que leciona há 32 anos e acredita que o contato dos estudantes com o jornal desde os primeiros anos escolares ajuda a apurar o gosto pela leitura.
A professora Valéria Munhoz participa das oficinas pedagógicas oferecidas aos educadores pelo GCN Comunicação e também está satisfeita com os resultados do Projeto Jornal Escola. “A atividade feita com o Clubinho na turma da fase I desenvolve muito a oralidade, que é a capacidade que os alunos têm de se expressarem, de exporem suas ideias. Mesmo não sabendo ler ainda, as crianças criam muitas coisas através das imagens”, disse Valéria.
Na atividade em que estavam sentados em grupos para explorar o jornal, a aluna Karolina Souza Campos contou sua versão da história em quadrinhos da Turma da Mônica. As colegas aprovaram a ideia e se divertiram.
Veja as imagens dos estudantes que estiveram no GCN:
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.