Invenção chinesa, meu nome vem do grego: pápyros. Depois de várias etapas - quando me diversificam e classificam segundo finalidade e aparência - usam-me para escrever, imprimir, desenhar, embrulhar, limpar e construir. Sou designação para folha escrita ou a parte que cada ator desempenha no teatro, no cinema, na televisão - portanto sinônimo de desempenho e função, finalidade e ação. Posso, igualmente, ser usado para indicar tanto dinheiro em notas quanto documentos que representam dinheiro, negociáveis: letras de câmbio, promissórias, títulos, etc. Vale dizer, são muitos, vários e múltiplos os papéis que eu represento enquanto palavra.
Genericamente sou chamado de papel. Versátil, apresento-me acetinado, apergaminhado, argentado, avergoado, calandrado, contínuo, crepom, cuchê, de alumínio, de arroz, mata-borrão, de embalagem, de escrever, de fantasia, de gráfico, de imprensa e de linho, de parede, de seda e até higiênico. Posso ser Kraft, laminado, litográfico, lustroso, machê, manteigueiro, marmoreado, metalizado, monolúcido. Pautado, quadriculado, sulfite, telado, timbrado, vegetal, velino e vergê. Ufa! Usam meu nome como referência em várias expressões. Quer ver? “Confiar ao papel” significa escrever aquilo que não se deseja exprimir de viva voz. Em “de papel passado”, dão-me muita seriedade: isso quer dizer, segundo a exigência da lei. “Ficar no papel” é não se realizar o que foi escrito. E “pôr no papel” é escrever, em geral compromisso, contrato, etc. Em algumas músicas sou identificação para coisa sem importância: “não me faça de bolinha de papel” ou sinônimo de insensibilidade: “você pensa que meu coração é de papel”.
Democrático, deixo-me ser usado de mil maneiras, algumas delas envaidecedoras. Em formato de correspondência, por exemplo, é por meu intermédio que as pessoas se comunicam, fazem convites. Reproduzo imagens, revelo aparência dos antepassados, mesmo remotos. Registro pensamentos e desejos, levo através das gerações segredos, confidências e emoções, sem alterá-las. Recebi os originais e transportei as mais belas obras da literatura mundial, cartas de amor, de ódio, de alforria, belas poesias e sentenças de morte. Ajudei a transmitir conhecimento de geração para geração: sou guardião da cultura.
Quase todas as manhãs, há 97 anos, quando chego em sua casa, com formato especial e batizado de Comércio da Franca, sou portador de notícias, opiniões, pensamentos, sonhos, alegrias, tristezas, decepções, sugestões, críticas, receitas, orientações, novidades, promoções, revelações, verdades e eventualmente até de mentiras. E não me canso desta tarefa maravilhosa. Muitos daqueles que me ajudaram na caminhada inicial, já me deixaram: é a lei da vida. Mas outros surgiram e surgirão para que eu continue essa tarefa de chegar para você, junto com o pão para manter sua integridade física, o alimento para sua alma e espírito.
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