Veículos: eles têm menos de 25 anos e são apaixonados por Fusca


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Thiago com uma miniatura e o Fusca ano 67 que está há 42 anos na família
Thiago com uma miniatura e o Fusca ano 67 que está há 42 anos na família

“Fuscão preto, você é feito de aço. Fez o meu peito em pedaços...”, a música famosa na voz de Almir Rogério bem que poderia ser o hino do eletricista João Paulo de Oliveira Caetano, 22. Dono de um possante Fusca preto, ano 79, ele é presidente do Clube dos Fusqueiros de Franca e um apaixonado pelo veículo, que teve seu dia mundial comemorado nesta última semana. A homenagem à “baratinha” acontece hoje na cidade, com uma carreata.

A admiração de João pelo carro tão querido dos brasileiros começou por acaso antes de ele tirar carteira de motorista, já que ganhou do pai seu primeiro Fusca aos 16 anos. O carro ficou guardado à sua espera, porém ele o vendeu após cinco meses de uso. Negócio que ele agora se arrepende de ter feito.

“Fuscólatra” confesso, João já recusou uma oferta de R$ 10 mil no seu fusquinha esportivo de época, com detalhes cromados, roda de Brasília, motor 1600, faróis de milha e lanternas Fafá, que ganhou esse nome em referência à cantora Fafá de Belém. A paixão pelo carro é tamanha que ele mesmo realiza os serviços de mecânica - “deixar o Fusca em uma oficina jamais” - e dedica, ao menos a cada 15 dias, um dia de rei para o Fuscão preto. Neste dia, o carro é lavado, encerado e lustrado. “Quando resolvo mexer com ele, fico o dia todo. Começo cedo e vou até a tarde.”

Nos quatro anos em que possui o carro, João diz ter investido cerca de R$ 9 mil em trabalhos de restauro e na compra de acessórios. “Fiz todo o trabalho de pintura e funilaria do carro e mudei o motor de 1300 para 1600. A cor original dele era bege, mas eu não gostava. Então, minha irmã me deu a ideia de pintar de preto. Hoje, onde passo com ele, as pessoas começam a cantar a música.”

Mas não é sempre que João circula com o Fusca. Na maior parte do tempo, o carro fica guardado na garagem coberto por uma capa. Só sai para dar umas voltas no fim de semana e participar de encontros de carros antigos. “Vou a pelo menos um por mês. Sempre estou na estrada com o Fusca. Já fui e voltei de Brasília com ele.”

ORIGINAL
Na legião de motoristas apaixonados por Fusca, João também tem a companhia do jovem Felipe Capel, 18. Pode parecer estranho, mas Felipe preferiu ter um Fusca em vez de um carro novo. “Carro novo todo mundo tem, agora Fusca é diferente, chama mais a atenção.”

O carro ano 66 é todo original e foi comprado de um tio por R$ 10 mil, porém Felipe calcula já ter gasto o dobro para recuperar o Fusca vermelho granada e adquirir acessórios, como um quebra joelhos (porta-objetos confeccionado em bambu que fica abaixo da direção e do porta-luvas). “Anoto tudo o que compro, desde um parafuso. Acredito que ainda vou gastar mais uns R$ 5 mil em pintura.”

Felipe diz que o pai também é apaixonado por Fusca e que um outro veículo ano 74 está sendo restaurado pela família.

HÁ 42 ANOS
O Fusca vermelho ano 67 era da avó do técnico em informática Thiago Garcia Silva, 24. “Ele fez parte da minha infância e acredito ser daí que surgiu minha paixão por Fusca, pois também ia sempre em encontros de carros antigos.”

Em 2008, a avó de Thiago, que comprou o Fusca em 1970, faleceu e ele se interessou em ficar com o veículo. “Minha avó foi a segunda dona do carro e eu resolvi ficar com ele, pois me traz muitas lembranças. Comprei ele da família por R$ 1 mil.”

Thiago diz que o veículo estava “acabado”. Por isso, em 2010, resolveu mandar ele para a reforma. O processo de restauração durou cinco meses e, só a partir de março do ano passado, o veículo ficou pronto para desfilar pela cidade. “Gastei R$ 12 mil para recuperá-lo e uma vez uma pessoa chegou a me oferecer R$ 23 mil. Mas, como ele faz parte da minha história, não aceitei.”

Thiago tem também muitas outras coisas de Fusca: livro, revistas, camisetas, chaveiros, Fusca de madeira, de controle remoto e duas miniaturas. Uma inclusive anda com ele dentro do Fusca, que chama a atenção até da mais nova geração da família. “Meu sobrinho está pegando gosto pelo Fusca. Ele não pode ver o carro que logo pede para que eu dê uma volta com ele no quarteirão.”

Gastei R$ 12 mil para recuperá-lo e uma vez uma pessoa chegou a me oferecer R$ 23 mil. Mas, como ele faz parte da minha história, não aceitei.”

“Carro novo todo mundo tem, agora Fusca é diferente, chama mais a atenção.
 

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