Everton Lima, o homem sorriso da Rádio Cidade


| Tempo de leitura: 3 min
 Everton Lima, que começou na rádio aos 9 anos
Everton Lima, que começou na rádio aos 9 anos

A família do radialista Everton Lima, 53, tinha hábito de escutar rádio e participar das promoções feitas para os ouvintes. Certa vez, uma das cartinhas escritas por sua mãe, Darci Lima, foi sorteada e premiada. Ao buscar o prêmio -um cinzeiro grande que ficava em pé -, ela levou o filho Everton, que tinha sete anos e logo se encantou com as instalações da rádio. “Quando entrei lá e vi aquela técnica de som, foi amor à primeira vista”, diz Everton.

Cerca de dois anos depois, com apenas 9 anos, Everton voltaria aos estúdios para trabalhar. Seu pai, José Lima, conhecia o gerente da rádio Difusora que estava contratando um operador de som. Everton, mesmo criança, ganhou a chance de aprender a função. Ele era tão pequeno que, para alcançar na mesa, tinha de colocar um caixote em cima da cadeira. “Via meus ídolos do rádio e ficava encantado, tudo me enchia os olhos. Fui aprendendo e com menos de um mês já dominava a mesa de som. Eram duas pickups, muito diferentes de hoje, mais difícil. Mas aprendi e peguei gosto pela coisa.”

Aos poucos, Everton foi conquistando espaço. Com 12 anos fez uma transmissão externa e o gerente da concorrente da Difusora, a PRB-5, gostou. “Ele me propôs trabalhar na PRB-5 com um salário quatro vezes maior do que o que eu ganhava na Difusora. Meus pais tinham se separado e eu era arrimo de família, fiquei chateado de deixar a Difusora, mas aceitei a proposta.”

Everton teve passagens por outras rádios e por outros cargos. Foi fazendo uma reportagem que chamou atenção do radialista Valdes Rodrigues, que o convidou para retornar ao time Difusora. “Voltei para a rádio e comecei a fazer um programa de meia hora em horário nobre, mas a audiência foi tão boa que foi aumentando o tempo até chegar a duas horas. Eu competia, aos 17 anos, com grandes nomes do rádio.”

Everton acompanhava o trabalho do radialista brasileiro Eli Corrêa e se inspirou nele para, aos poucos, moldar seu estilo. Hoje é chamado de “homem sorriso da rádio”. É radialista há 43 anos, sendo mais de trinta dedicados à Difusora. Atualmente, ocupa o cargo de diretor artístico. É apresentador do programa jornalístico A Hora da Verdade e do de variedades Rádio Cidade. “O ouvinte está me esperando com aquele gás, não quer saber se tenho problemas e espera alegria. Ali sorrio, canto, brinco, choro. Se Deus me permitisse morrer ali, ia ser um choque para a rádio, mas para mim ia ser bom demais”, disse, com a gargalhada inconfundível.

A mesma gargalhada ele repete ao reviver algumas gafes cometidas no ar. Everton, Valdes Rodrigues e o investigador de polícia Reinaldo Guimarães apresentavam o programa de notícias Rotativa no Ar, quando a Diocese de Franca foi criada. Na hora de anunciar o bispo da cidade, dom Diógenes Silva Mathes, Reinaldo disse: “Nosso bispo é o doutor Diocésio da Silva Mateus”. “Ali acabou o programa. Eu e o Valdes saímos rindo do estúdio na hora”, relembra.

“Deixei muito de viver minha infância porque todo tempo que eu tinha, corria para dentro da rádio. Deixei de jogar bola, de nadar, de rodar pião. Mas sou apaixonado por isso, não tinha jeito de fazer outra coisa.”
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários