Aniversário: rádio Difusora AM completa meio século de existência


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 Equipe de radialistas e técnicos da Rádio Difusora AM, com Patrícia e Cintia Flávia no centro
Equipe de radialistas e técnicos da Rádio Difusora AM, com Patrícia e Cintia Flávia no centro

Domingo, 10 de junho de 1962. Há exatos 50 anos, começava a funcionar a Rádio Difusora AM (1.030 Khz) em Franca, que hoje é uma das líderes de audiência. Da primeira transmissão até chegar hoje às modernas instalações na redação integrada do GCN Comunicação, muita “água rolou” e muita gente passou pelos microfones da Difusora. Para quem acompanhou a evolução, são 50 anos -ininterruptos - de muitas histórias, programas inesquecíveis e profissionais que se tornaram a “cara da rádio”. O radialista Valdes Rodrigues, na profissão há 48 anos, é um deles.

A primeira sede da Difusora ficava na rua do Comércio, no prédio do Crédito Real, perto de onde hoje está instalada uma das lojas de O Boticário. À época, a emissora francana era uma das 33 unidades da Rede Piratininga no Estado de São Paulo. Ricardo Spinosa era o gerente. Reportagens do Comércio da Franca (veja reprodução) noticiaram que a rádio nascia como uma das mais modernas da rede, com estrutura nos moldes de emissoras da capital.

A data foi marcada por uma missa rezada na Igreja Nossa Senhora da Conceição, coquetel e shows musicais num palanque montado na praça central. O paraninfo da rádio, o desembargador Márcio Martins Ferreira, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, desatou a fita simbólica na sede. O diretor da Piratininga, o então deputado Miguel Leuzzi, participou da inauguração.

Uma brincadeira dançante, com animação da Orquestra do Laércio, encerrou as festividades na noite daquele domingo. Os 40 mil cruzeiros arrecadados com a venda de ingressos para o baile foram doados para entidades assistenciais da cidade. Naquela tarde, a equipe esportiva fez a primeira transmissão, comandada por Antônio Marcos Kaluf, direto do Estádio “Nhô Chico”. Francana e Corinthians, de Presidente Prudente, disputaram a partida. O esporte, aliás, conquistou espaço privilegiado na rádio. A Difusora foi a primeira da cidade a realizar uma transmissão internacional, via Embratel, em 1975, no Campeonato Mundial de Basquete, da Itália.

CINCO SEDES
Quando a Difusora foi inaugurada, só havia uma outra emissora na cidade: a rádio Clube Hertz, PRB-5, que acabou extinta. Sete anos depois da fundação, a Difusora mudou de nome e passou a se chamar Piratininga. Em 1971, retornou ao nome original. Não foi apenas o nome que mudou. As transmissões da Difusora já foram feitas em outros endereços. Depois da rua do Comércio, a rádio teve sedes nas ruas General Osório, Monsenhor Rosa e Thomaz Gonzaga. Hoje, está instalada na sede do GCN, na avenida Eliza Verzola Gosuen, no Jardim Ângela Rosa, dividindo espaço com a redação do Comércio da Franca. Os equipamentos são todos digitalizados.

Depois da Piratininga, a rádio teve outros donos. Um deles foi o empresário Rui Pieri, que assumiu em 1971, mas saiu quatro anos depois. Em 2005, a família Corrêa Neves comprou a emissora, iniciando uma nova era na história da rádio. O GCN inovou o jornalismo ao lançar o modelo inédito de redação integrada entre o jornal Comércio, a rádio Difusora e o portal GCN. O modelo de integração, aliás, já foi “exportado” para outros jornais do país.

O radialista Everton Lima, que faz parte da equipe da Difusora há 30 anos, comemora o meio século de existência da empresa e considera perfeito o casamento entre rádio e jornal. “A união com o Comércio deu mais vigor à Difusora e ela chega aos 50 anos com pulsação de um garotão de 18. Vejo a rádio jovem, dinâmica, forte e respeitada e isso é gratificante para qualquer pessoa. A AM em Franca é muito forte e a Difusora é responsável por isso.”

O radialista e representante comercial aposentado Antônio Augusto Nunes de Souza, 74, já não faz mais parte do time da Difusora, mas se lembra com nostalgia dos seus tempos de emissora. Antônio Augusto foi quem estreou os microfones da rádio em 1962 com a frase: “Rádio Difusora no ar”. Foi diretor de esportes, diretor social, vice-gerente e locutor. “Há uns dez anos deixei a rádio porque fiquei velho e com a voz ruim, mas sou radialista de coração. A Difusora é a minha rádio. Tenho muitos amigos lá, o Verzola, o Valdes... E ouço os programas todos os dias.”

Não são apenas as amizades que ficaram na memória de Antônio Augusto. Uma das passagens inesquecíveis para ele foi durante o episódio conhecido como “Golpe de 1964”, quando os militares depuseram o então presidente brasileiro João Goulart. A convite do jornalista Corrêa Neves, Antonio Augusto fez a cobertura jornalística na capital. “Fui o único radialista a gravar entrevistas em São Paulo com o governador Adhemar de Barros, com Carlos Lacerda... Lembro que usei um gravador enorme, um trambolho, que tinha uns rolos para as gravações, que guardo até hoje. Fizemos uma reportagem muito bonita.” A reportagem foi ao ar um dia depois. “Naquele tempo, não tinha como fazer flashes. O telefone demorava uma hora para ligar de São Paulo para Franca...”

O radialista se lembra das dificuldades para transmissões externas. “Tinha que puxar fio pra lá, pra cá. Para nós transmitirmos do Estádio ‘Nhô Chico’, a gente puxava fio da matriz, na rua do Comércio, até lá.” Ele se diverte ao recordar as “sabotagens” entre as rádios. “Era uma briga para ver quem ia conseguir transmitir. Muitas vezes cortaram nossos fios e eu também cortei fios de outras emissoras. São passagens que não esqueço e é muito gratificante estar vivo para acompanhar a evolução da minha rádio.”

SUCESSO
O economista francano Francisco Sérgio Nalini, 62, atual secretário da Fazenda da Prefeitura de Ribeirão Preto, também passou pelos microfones da Difusora no fim dos anos 60 e início dos 70. Ele atuou como repórter em coberturas esportivas e apresentou um programa semanal de músicas clássicas e MPB. Nalini fala orgulhoso da história da emissora de Franca. “A história vem sendo escrita pela imprensa. Quem narra a vida de um município, do País é a imprensa e assim eu vejo a Difusora, como co-partícipe da história da cidade. Vemos profissionais que temos como exemplo de cidadãos.”

Cintia Flávia, uma das radialistas mais queridas da atualidade, ajuda a escrever a história de sucesso da Rádio Difusora AM há quase dez anos. “Penso que a Difusora é mesmo a rádio do povo, já que o contato com o público nos proporciona conviver diretamente com suas famílias, formando novas amizades e conhecendo melhor tanto os problemas quanto as alegrias do povão”, disse Cintia, que é coordenadora de Jornalismo. Ela, a colunista social Patrícia Pizzo e a cantora Desiree são as vozes femininas que fazem companhia aos ouvintes da Difusora.

A Difusora não desliga. Permanece 24 horas no ar. A programação, antes baseada em programas musicais, radionovelas, esportes e noticiário, hoje reúne um mix de opções. Sapateiros, faxineiras, donas de casa, comerciantes, aposentados, empresários e demais ouvintes encontram nas ondas da emissora noticiário policial, jornalismo comentado, entrevistas, variedades, programas musicais e esportivos. A empresa promove ainda shows e campanhas solidárias.


 

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