O jornal Comércio da Franca faturou o Prêmio CNI de Jornalismo por uma reportagem especial de quatro páginas que denunciou a fraude dos exportadores chineses de calçados, que utilizam o Paraguai como entreposto para “maquiar” os sapatos que vendem ao Brasil, alterar o certificado de origem e garantir preços menores no mercado nacional, o que gera concorrência desleal para o calçadista brasileiro.
A matéria do Comércio, produzida pela repórter Priscilla Sales e pelo fotógrafo Marcos Limonti, foi publicada com o título “Paraguai despeja ilegalmente no Brasil 5 milhões de calçados chineses” e venceu a categoria Destaque Regional Sudeste. As outras duas finalistas eram as reportagens “Sertão Grande”, do jornal Estado de Minas, e “Franca, um novo jeito de fazer sapatos”, do canal GloboNews. A premiação aconteceu na noite de quarta-feira, 30, na sede da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em Brasília. No total, 323 trabalhos jornalísticos inscritos de todas as partes do Brasil disputaram o prêmio em 13 modalidades distintas.
A repórter Priscilla Sales e a editora-executiva do Comércio, Eliane Silva, estiveram em Brasília para receber o prêmio. “É o reconhecimento de um trabalho muito árduo, difícil e que precisou de muita dedicação. É muito satisfatório saber que é considerado um dos melhores do Brasil. Agradeço ao Comércio por ter acreditado no meu trabalho e ter me dado as ferramentas para conseguir realizar uma matéria como essa. É um prêmio, literalmente, nosso”, diz Priscilla.
Para a editora-chefe do Comércio, Joelma Ospedal, receber o prêmio CNI de Jornalismo ganha ainda mais importância em função da relevância do júri, composto por nomes de referência do jornalismo. “Estamos muito felizes e orgulhosos. É precioso saber que competimos com veículos de reconhecimento nacional e que nossa reportagem foi avaliada como a melhor, por uma Comissão de Julgamento formada por grandes nomes do jornalismo brasileiro.”
O fotógrafo Marcos Limonti acredita que a premiação é importante não apenas pelo reconhecimento do trabalho da equipe, “mas principalmente pelo alcance que essa denúncia atinge, agora, em nível nacional”.
A FRAUDE
A matéria premiada do Comércio em novembro de 2011 constatou que o Paraguai não tem estrutura, capacidade técnica nem operacional para produzir e exportar calçados. O país tem 500 fábricas de sapatos que, juntas, produzem 5 milhões de pares/ano, o que equivale a apenas 14% da produção das fábricas de Franca, que possui 467 indústrias e uma produção de 35,5 milhões de pares/ano. A produção paraguaia é voltada apenas para abastecer seu próprio mercado interno, especialmente na faixa de produtos de menor qualidade e preço.
Durante quase uma semana no Paraguai, a equipe do Comércio descobriu como funciona o esquema de fraude e triangulação que tem início na China - que envia para o Brasil quase 5 milhões de pares ou partes de sapatos por ano, através do Paraguai, deixando de pagar as taxas de importação impostas pelo governo brasileiro que são aplicadas para tornar a competição com o calçadista brasileiro menos injusta.
Os exportadores chineses têm contato com empresas paraguaias que ajudam a forjar os certificados de origem dos sapatos (documento em que o fabricante atesta a origem do produto e que é utilizado como base para a incidência da sobretaxa). Calçados prontos ou em fase de acabamento são importados pelo Paraguai, com baixos impostos. Chegam em contêineres lacrados, são desembarcados em portos particulares e levados para galpões de importadoras. No Paraguai, os sapatos recebem novo certificado de origem e uma etiqueta informando que foram produzidos no país. De lá, novamente exportados para outros locais, como Brasil, sem pagar a sobretaxa que seria aplicada aos produtos chineses.
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