CUT dá cano de R$ 23,5 mil em hotel francano de luxo


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Milton Viana, de jaqueta preta, ao lado dos membros da CUT: 40 dias de hotel e nada de pagamento
Milton Viana, de jaqueta preta, ao lado dos membros da CUT: 40 dias de hotel e nada de pagamento
Um grupo de 88 militantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) deu um calote de R$ 23,5 mil em um dos maiores hotéis da cidade. Sindicalistas em missão oficial da entidade hospedaram-se no Tower Hotel por 40 dias - de 4 de julho a 12 de agosto do ano passado - comeram e beberam e, passados oito meses da hora de acertar a conta, o pagamento ainda não foi efetuado. Os sindicalistas estiveram na cidade acompanhados da secretária de Política Sindical da Executiva Nacional da CUT, Rosane da Silva, para participar da campanha para eleição do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Calçados de Franca. Eles apoiaram o candidato Milton da Silva (ex-vereador e filiado ao PT), da chapa 2, que perdeu a eleição para Paulo Afonso Ribeiro. A fatura do hotel ficou no nome de Rosane. O proprietário do Tower Hotel, Riad Salloum, diz que há meses tenta receber a dívida. Para isso, fez contato com pessoas influentes no meio sindical para intermediar a negociação, já que ele não é mais atendido na CUT. "Quando eles foram embora do hotel eu estava viajando, a Rosane assinou a fatura e ficou de enviar o cheque, mas, até hoje, a dívida não foi paga". Salloum conta que já conversou com oito pessoas da CUT, inclusive com o presidente da Executiva Nacional, Artur Henrique da Silva Santos, que ficou de resolver a situação em janeiro. Até agora, nada. "Por enquanto, eu não penso em entrar na Justiça, mas estou chateado com essa situação porque a CUT é uma entidade que prega a honestidade e está agindo com desonestidade". Além das negociações por telefone e presenciais - por meio de representantes do hotel que foram até São Paulo negociar a dívida - o proprietário do Tower Hotel entrou em contato por e-mail com a secretária da Executiva Nacional. Na correspondência, enviada na semana passada, Rosane alegou que estava "resolvendo os trâmites internos de burocracia" para enviar os cheques o "mais breve possível" mas que, "infelizmente", ela tem "problemas pessoais", está "sem celular" e que vai enviar "cheques pessoais e assim resolver isso de vez." Salloum lamenta o ocorrido. "Essa dívida não vai me quebrar, mas é uma vergonha para a CUT agir com essa desonestidade". SEM O OUTRO LADO Nenhum representante da CUT foi encontrado para falar sobre o assunto. O Comércio tentou contato, em pelo menos dez oportunidades, na sede da CUT e nos celulares de Rosane. Na CUT, a secretária informou que a diretoria estava em uma reunião que duraria o dia inteiro. Ela passou dois contatos de Rosane: um não atendeu e o outro deu sinal de ocupado. O candidato derrotado, Milton da Silva, apoiado pela comitiva que deve ao hotel, disse que não vai comentar o assunto porque não está mais "mexendo com isso". "A CUT tinha me informado que já havia acertado a divída, depois disso não fiquei sabendo de mais nada. Estou trabalhando em outro ramo agora".

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