O dia finalmente chegou para o transporte coletivo de Campinas. Nesta quinta-feira, às 14h, na sede da B3, em São Paulo, serão abertos os envelopes com as propostas financeiras das empresas interessadas na concessão do sistema de ônibus da cidade pelos próximos 15 anos. O momento é tratado como decisivo, mas também carrega uma mistura de apreensão, tensão e até angústia para quem acompanha essa longa novela administrativa.
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O sentimento não é exagerado. A história recente do transporte campineiro é marcada por tentativas frustradas de licitação, ajustes no edital, questionamentos técnicos e até a ausência completa de interessados, como ocorreu na tentativa anterior. Por isso, mesmo com o avanço do processo, ainda paira a sombra que costuma rondar concorrências dessa magnitude: a possibilidade de judicialização.
Ainda assim, a expectativa no Paço Municipal é de desfecho. A sessão desta quinta revela os valores ofertados pelas empresas que disputam os dois lotes do sistema. Ao todo, seis propostas foram apresentadas por cinco grupos econômicos: Consórcio Andorinha, Consórcio Grande Campinas, Consórcio Mov Campinas, Consórcio VCP Mobilidade e a empresa Sancetur, que apresentou propostas para ambos os lotes.
A primeira etapa ocorreu na semana passada, quando foram entregues os envelopes com credenciais e garantias financeiras. Esse material foi aberto e analisado, enquanto os demais documentos permaneceram lacrados em cofre da bolsa até esta nova sessão. O evento reúne a comissão de licitação, representantes da Secretaria de Transportes, da Emdec, da Secretaria de Administração, da Procuradoria-Geral do Município e também da imprensa, com transmissão ao vivo pela TV B3.
O edital divide a operação em dois blocos. O Lote Norte contempla as regiões Norte, Oeste e Noroeste da cidade, enquanto o Lote Sul abrange as regiões Leste, Sul e Sudoeste. Cada um recebeu três propostas e a melhor oferta em cada bloco será declarada vencedora. Depois da abertura dos valores, a empresa mais bem classificada deverá apresentar a planilha atualizada de custos. Em seguida será aberto o envelope com a documentação de habilitação jurídica, técnica e econômico-financeira. Superadas essas etapas, o processo segue para homologação e assinatura do contrato.
O contrato em disputa é bilionário. A concessão prevê R$ 11 bilhões ao longo de 15 anos, com investimentos pesados para tentar modernizar um sistema que se encontra visivelmente esgotado. Estão previstos cerca de R$ 1,7 bilhão para renovação da frota — sendo quase R$ 900 milhões nos primeiros cinco anos — além de R$ 1,9 bilhão para tecnologia e infraestrutura, incluindo bilhetagem eletrônica, monitoramento e sistemas embarcados. A concessão também inclui a operação do transporte convencional, a gestão de terminais urbanos e estações do BRT e o atendimento do PAI-Serviço, voltado a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Entre os concorrentes aparecem operadores tradicionais do transporte urbano no estado e no país. A Sancetur, ligada à família Chedid e conhecida pela marca SOU, atua em dezenas de cidades do interior e do litoral paulista. O Consórcio Mov Campinas está associado ao Grupo Belarmino, responsável pela VB Transportes em Campinas e pela Sambaíba na capital paulista. Já o Consórcio VCP Mobilidade reúne empresas que já operam no sistema local, como Expresso Campibus, Onicamp e Itajaí Transportes. Os consórcios Grande Campinas e Andorinha também incluem operadores com presença em diferentes municípios do interior e da Grande São Paulo.
O processo atual só avançou após ajustes exigidos pelo Tribunal de Contas, principalmente na metodologia de cálculo do chamado Fator de Utilização, índice que impacta diretamente os custos operacionais do sistema. A correção foi publicada no Diário Oficial e permitiu a retomada do cronograma.
Mas é importante deixar claro: mesmo que tudo transcorra sem problemas nesta quinta-feira, o transporte de Campinas não será outro amanhã. O sistema ainda terá que cumprir uma série de etapas burocráticas até a efetivação da concessão. Haverá análise de documentos, homologação, assinatura de contrato e um período de transição para adaptação das novas regras e eventual troca — ou permanência — das concessionárias.
O passageiro, que há anos enfrenta ônibus lotados, atrasos e uma frota envelhecida, ainda terá de esperar um tempo considerável para perceber mudanças concretas. As transformações são urgentes, mas a engrenagem administrativa se move em ritmo próprio.
Por isso, esta quinta-feira não representa exatamente a chegada a um destino. É mais um ponto de virada em uma longa viagem que Campinas tenta concluir há mais de uma década. O sistema pode finalmente sair do papel do edital. O desafio, a partir daí, será fazê-lo funcionar na vida real de quem depende dele todos os dias.
Violência e reconstrução facial

Divulgação/CMC
O vereador Paulo Haddad (PSD) protocolou na Câmara Municipal de Campinas um projeto de lei que institui o Programa Reconstruindo Sorrisos no município. A proposta prevê prioridade no atendimento de reconstrução facial e dentária para vítimas de violência doméstica na rede pública de saúde da cidade.
O texto estabelece que prontos-socorros, ambulatórios, unidades básicas de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) que possuam serviços de saúde bucal e facial priorizem o atendimento de mulheres, crianças e adolescentes que sofreram lesões na face ou danos dentários decorrentes de agressões.
Segundo o parlamentar, que é médico e dentista, a proposta nasce da experiência acumulada no atendimento hospitalar a vítimas de violência.
“Quando eu trabalhava no hospital da PUC-Campinas, atendi e atuei na reconstrução bucomaxilar de inúmeras mulheres, e até de crianças e de adolescentes, vítimas de violência doméstica. Estamos falando de pessoas que infelizmente tiveram a boca e o rosto destruídos por socos, pontapés, facadas e até tiros. E que, além da dor física em si, perdem totalmente a autoestima e ainda são obrigadas a se lembrar do que passaram, a reviver toda aquela violência, cada vez que olham no espelho”, pontua o vereador.
Além da prioridade no atendimento, o programa prevê capacitação de profissionais da rede pública para atendimento odontológico especializado em vítimas de violência doméstica.
O projeto também propõe incentivar parcerias com clínicas odontológicas particulares, hospitais e serviços médicos privados, por meio de convênios, para ampliar a oferta de tratamentos gratuitos de reconstrução facial e dentária.
Ao justificar a proposta, o vereador destacou o impacto da violência doméstica no país e suas consequências físicas e psicológicas.
“O Brasil enfrenta uma escalada da violência doméstica e as principais vítimas são mulheres, crianças e adolescentes que habitam o mesmo local do agressor. Em 2025 cerca de 3,7 milhões de brasileiras foram vítimas de algum tipo de violência doméstica ou familiar, segundo dados de pesquisa do DataSenado, e em 71% dos casos havia crianças presentes durante a agressão. E do ponto de vista psicológico, a violência se torna ainda mais grave quando deixa marcas nas vítimas, especialmente no rosto, com perda de dentes, fraturas e lesões”, enfatiza o vereador.
Haddad também lembra que a legislação nacional já prevê atendimento odontológico para mulheres vítimas de violência doméstica.
A Lei Federal 15.116/2016 instituiu no Sistema Único de Saúde o Programa de Reconstrução Dentária para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica, garantindo tratamento de reparação bucal para mulheres que sofreram agressões.
“Com a promulgação da Lei, o SUS passou a assegurar o tratamento necessário, incluindo reconstrução, próteses, tratamentos estéticos e ortodônticos. Contudo, a ideia deste projeto é priorizar esse atendimento e ainda ampliar a proteção, para incluir as crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica ou familiar, buscando a reparação de lesões e a recuperação da autoestima”, conclui.
FPX Cast com Renan Santos do MBL

Reprodução/FPX Cast
O FPX Cast, em parceria com a rede PodConecta, recebe no episódio 61 o fundador do Movimento Brasil Livre, Renan Santos, que é pré-candidato à Presidência da República em 2026 pelo partido Missão.
Durante a entrevista, ele fala sobre o projeto político do partido, as críticas à polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo, o papel do Supremo Tribunal Federal no cenário político e as estratégias de mobilização do MBL nas redes sociais.
Renan Santos também comentou o escândalo envolvendo o caso Master e a nova prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, afirmando que o episódio pode provocar forte impacto no cenário político nacional.
O pré-candidato também trouxe detalhes sobre a sua plataforma de campanha. Durante a conversa, Renan Santos afirmou defender medidas duras na área de segurança pública e disse ser favorável à pena de morte, um dos pontos mais polêmicos de sua proposta.
A entrevista completa com Renan Santos, fundador do MBL e pré-candidato à Presidência pelo Missão, vai ao ar nesta quinta-feira, às 19h, no canal do FPX Cast no YouTube.
Para assistir, basta buscar FPX Cast na plataforma e acompanhar mais uma conversa sobre os rumos da política brasileira.
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.