COMPLEXO PENAL

P3 operava 82% acima da capacidade durante rebelião

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 1 min
Reprodução/Redes Sociais
A unidade abriga 1.277 detentos, embora tenha sido projetada para 700 vagas; superlotação é regra em todo o Complexo Penal Campinas–Hortolândia.
A unidade abriga 1.277 detentos, embora tenha sido projetada para 700 vagas; superlotação é regra em todo o Complexo Penal Campinas–Hortolândia.

A Penitenciária III (P3) de Hortolândia — palco do tumulto registrado nesta segunda-feira (24) — operava com 82% mais presos do que a capacidade oficial. A unidade abriga 1.277 detentos, embora tenha sido projetada para 700 vagas, segundo dados atualizados da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).

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O episódio ocorreu após um ato coletivo de indisciplina em um dos pavilhões. Detentos quebraram portas de celas e incendiaram colchões e objetos horas depois de policiais penais apreenderem bebida alcoólica artesanal no domingo (23).

Moradores relataram ter ouvido estouros e disparos, além de observar uma coluna de fumaça saindo da unidade. A Polícia Militar cercou o entorno enquanto a Polícia Penal atuava internamente.

A SAP informou que a situação foi controlada com apoio da Célula de Intervenção Rápida (CIR), sem feridos nem reféns. Os presos envolvidos serão transferidos para outros presídios do estado.

A superlotação da P3, porém, faz parte de um problema estrutural no Complexo Penal Campinas–Hortolândia, onde todas as unidades operam acima do limite:

  • P1 (semiaberto): capacidade para 1.125, mas com 1.407 presos — 25% acima.
  • P2 (semiaberto): capacidade para 855, com 1.003 detentos — 17% acima.
  • CDP Hortolândia: capacidade de 844, porém com 1.589 — 88% acima.
  • CDP Campinas: capacidade de 822, mas abriga 1.577 — 91% acima.

A soma revela um complexo prisional operando em cenário permanente de pressão, risco e déficit estrutural, fatores que ampliam a tensão interna e ajudam a explicar episódios como o registrado na P3.

Posicionamento

A Secretaria da Administração Penitenciária informa que as unidades citadas operam dentro dos padrões de segurança e disciplina. Estão previstas para o primeiro trimestre de 2026 a entrega de duas novas unidades prisionais, com a criação de 1.646 vagas. A pasta mantém diálogo permanente com a sociedade civil para aprimorar o sistema prisional.

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