DESCASO

Cemitério da Saudade, um museu abandonado

Por Andréia Marques | Especial para a Sampi
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo Pessoal
Moradores reclamam da falta de manutenção do cemitério
Moradores reclamam da falta de manutenção do cemitério

O Cemitério da Saudade em Campinas (SP) é um dos maiores da região com 35 mil sepulturas. Grandes personalidades que ajudaram a escrever a história da metrópole estão enterradas ali. Pela importância histórica, é considerado um museu a céu aberto.  Mas as condições do local incomodam os visitantes que reclamam da falta de manutenção dos túmulos e do mato alto.

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“É difícil andar por aqui. Tem muito mato alto. Um dia trouxe minha mãe que é cadeirante e tivemos dificuldades em andar pelo cemitério”, contou Elaine Machado.

O local passa por reformas para a troca do piso, mas os entulhos das obras têm incomodado os frequentadores. “Eu me deparei com um descaso total do cemitério. Tem entulho de obras da troca das calçadas amontoados em frentes às sepulturas, com risco de provocar acidentes”, relatou José Ricardo Rojas.

O morador inclusive esteve no cemitério e fotografou a situação de abandono das sepulturas. “Estão tomadas pelo mato. Parece até um filme de terror”, completou Rojas.

Para a professora Carla Cristina Brito, a administração precisa fazer a manutenção do cemitério diariamente. “ Precisa fazer um trabalho de limpeza sempre. Não dá para descuidar. Aqui sempre tem alguma coisa faltando ou quebrada. Já vi vários túmulos assim, quebrados, sem cruz e até sem o nome da pessoa que está enterrada”.

Em nota, a SETEC, responsável pela administração dos cemitérios municipais, informou que o trabalho de manutenção é feito constantemente. “O serviço de roçagem está dentro do programado, podendo haver situações pontuais de mato um pouco maior. Outro fator é que o local está passando por grandes obras, inclusive nesse momento, com a troca e restauração de todo o piso, o que certamente gera movimentação de entulhos.”

Museu a céu aberto

Fundado em 1881, o Cemitério da Saudade é importante para a história de Campinas. É considerado um museu a céu aberto. Em 2004, foi tombado pelo Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas) é considerado um dos mais importantes no país por seus aspectos em relação ao patrimônio histórico, artístico e cultural.

A reportagem Sampi Campinas consultou o idealizador do projeto “O que te assombra”, Tiago Sousa, que detalhou a importância do cemitério. “O local não tem apenas sepultados. Tem marcos históricos como a presença de Carlos Gomes que ficou um tempo no mausoléu da família Ferreira Penteado. Também está sepultado Hercules Florence, que é o inventor da fotografia isolada.”

Lá também estão diversas manifestações religiosas. “O cemitério respeita a pluralidade religiosa. Tem desde referendos luteranos, católicos, reverendos. Tem o representantes da umbanda, tem o santuário do exu Tranca Ruas das Almas, único santuário no Brasil”, lembrou Tiago.

Divulgação/PMC

Personalidades que dão nomes às principais avenidas da metrópole também estão no Cemitério da Saudade, como Francisco Glicério, Carolina Florence, Ferreira Penteado, Orozimbo Maia, além de Mário Gatti, que dá nome ao hospital municipal.

Um projeto de lei está sendo discutido na Câmara de Vereadores para instituir o Dia Municipal do Patrimônio Cultural Funerário de Campinas. A proposta é que este dia seja celebrado anualmente em 7 de fevereiro, data da inauguração oficial, em 1881, do Cemitério da Saudade.

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