A advogada Joice Vanessa dos Santos, que representa o policial militar Leonardo Alencar Gomes, de 39 anos, preso por feminicídio de Gabriela Martins da Silva, 32 anos, morta a tiros nesta quarta-feira (30), informou em uma coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (1), em Bauru, que após o crime ele seguiu até a 1ª Companhia do 27º BPM/I, onde iria assumir o turno de trabalho, informou aos policiais que estavam de serviço que havia acabado de cometer um erro e, posteriormente, colaborou com as autoridades.
Ainda de acordo com a advogada, Leonardo é casado há 17 anos e tem filhos. Ela diz que o relacionamento entre o seu cliente e Gabriela era extraconjugal, conturbado, e que acompanhava a situação dos dois desde fevereiro. Segundo Joice, desde o início, foram registrados boletins de ocorrência e solicitadas medidas protetivas envolvendo o PM e a vítima. Conforme a advogada, o policial não possui histórico de comportamento agressivo dentro da corporação e não responde a inquéritos anteriores. Joice manifestou solidariedade à família de Gabriela, mas também pediu respeito à família do policial, que, segundo ela, igualmente sofre com o ocorrido.
De acordo com a advogada, Leonardo demonstrou arrependimento e colaborou com as investigações desde o momento em que se apresentou às autoridades. “Desde a data de ontem, ele se apresentou, colaborou com todas as investigações. Então, maiores detalhes a gente vai trazer durante a fase investigatória, durante a ação processual. Muitos detalhes eu ainda não posso trazer, até porque o processo encontra-se em segredo de Justiça”, afirmou.
A defesa informou ainda que testemunhas ainda deverão ser ouvidas e que laudos serão concluídos no prosseguimento da investigação. “Tem testemunhas ainda a serem ouvidas, laudos a serem concluídos e depois uma futura ação penal”, explicou a advogada.
Até o momento, segundo Joice, ainda não havia sido informado o resultado da audiência de custódia, realizada na manhã desta quinta-feira (1). O policial encontra-se no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo, aguardando a decisão judicial sobre a manutenção da prisão. A defesa espera a definição sobre a possibilidade de concessão de liberdade provisória ou conversão da prisão em preventiva.
A advogada também pediu que a imagem do cliente não seja utilizada para fins políticos. Segundo ela, como o caso ocorre durante o período eleitoral, a defesa não quer que o policial seja associado a qualquer campanha ou disputa política.
Conforme o depoimento prestado pelo policial, ele estava a caminho do trabalho, após sair da casa da irmã, quando se deparou com Gabriela. Segundo a versão apresentada à defesa, foi nesse momento que ocorreu o crime. A advogada afirma que o caso não teria sido premeditado.
Relembre o caso
Conforme divulgado pelo JCNET/Sampi, o crime ocorreu nesta quarta-feira (30), por volta das 8h30, na avenida Lauro Fraschetti, entre o Jardim Juliana e Residencial Cidade Alta, em Jaú. Vídeo gravado por trabalhadores de uma obra registrou o momento em que o carro onde estavam Gabriela e amiga dela, de 34 anos, um Fiat Mobi, é "fechado" pelo veículo do policial militar, um Corsa.
Após os disparos, o atirador foge e a amiga de Gabriela sai do automóvel pedindo socorro. Ela foi socorrida por populares e levada à Santa Casa. Já Gabriela teve o óbito constatado no local. A Polícia Científica foi acionada para realizar a perícia.
A reportagem apurou que a mulher levada ao hospital foi atingida por quatro disparos na região abdominal e passou por cirurgia. Três projéteis teriam ficado alojados em seu corpo e a retirada dos mesmos, em razão das regiões onde se encontram, representaria um risco, o que torna o quadro de saúde dela grave.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que o PM foi preso em flagrante após se entregar na 1.ª Cia do 27.º BPM/I e admitir ser o autor dos disparos. "A arma utilizada foi apreendida e encaminhada à perícia", informou. "A Polícia Militar abriu procedimento administrativo e vai instaurar Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta do policial".
Ainda conforme apurado pelo JCNET/Sampi, a vítima já havia registrado boletins de ocorrência contra o suspeito em fevereiro, por perseguição, com pedido de medida protetiva de urgência; e em março, por descumprimento da ordem judicial.
Dias depois, ela teria solicitado a revogação da medida protetiva após retomar o relacionamento com o PM e formalizado retratação quanto à representação criminal pelo delito de perseguição. Em julho, um novo BO foi registrado, desta vez por injúria, com novo pedido de medida protetiva de urgência.
O último BO foi registrado por Gabriela na terça-feira (29), um dia após ela ser morta, por lesão corporal e descumprimento de medida protetiva. Na ocasião, ela não teria aceitado acolhimento junto à Casa da Mulher. O corpo de Gabriela, que deixa familiares e um filho, foi sepultado às 16h30, no Cemitério Municipal João do Rego, no Distrito de Potunduva.