Durante assembleia extraordinária realizada nesta quarta-feira (30), estudantes do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de Bauru da Universidade de São Paulo (FMBRU-USP) decidiram encerrar a greve iniciada há sete dias. O fim da paralisação foi aprovado por 93% dos presentes, após três reuniões entre Comitê de Greve e diretoria da instituição. Segundo o grupo estudantil, 14 das 15 pautas propostas pelos alunos foram atendidas.
Conforme divulgado pelo JCNET/Sampi, os estudantes reivindicavam diálogo, transparência e participação estudantil nas decisões da graduação, além de melhorias nas condições de ensino, de internato, estágios, preceptoria e infraestrutura. No dia 23 de setembro, após paralisação realizada no dia 21, eles decidiram entrar em greve alegando falta de avanços nas conversas com a diretoria da faculdade.
Entre os principais pontos levantados pelo movimento estavam a necessidade de ampliar a participação dos estudantes nas decisões relacionadas à formação médica. A reivindicação inclui a criação de um canal permanente e direto de comunicação com a direção para tratar de demandas imediatas, com respostas e acompanhamento dos encaminhamentos.
Os estudantes também defendiam maior transparência nas decisões da graduação, liberdade de expressão, direito ao contraditório e participação efetiva nos espaços institucionais. Outro eixo da greve envolvia a formação prática dos futuros médicos. Os estudantes reivindicavam a reorganização da preceptoria — acompanhamento realizado por médicos e outros profissionais durante as atividades práticas — e maior padronização das competências trabalhadas nos diferentes campos de estágio.
O movimento também cobrava a ampliação dos locais de estágio em Bauru e maior integração entre a faculdade e a rede pública de saúde do município. Para os estudantes, a inserção da FMBRU na rede de saúde deve permitir que a universidade cumpra simultaneamente suas funções de formação e contribuição para a qualificação dos serviços públicos.
Os alunos também pleiteavam a inclusão de capacitações específicas, como o curso ACLS (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia), para estudantes do 6º ano. A pauta incluía ainda a ampliação do funcionamento da Tutoria como espaço de estudo e convivência dos alunos e garantia de transporte adequado e apoio institucional para alimentação quando os estudantes precisarem realizar atividades e estágios fora de Bauru.
Um dos pontos de maior alcance institucional da pauta é o pedido de antecipação do processo eleitoral para a Diretoria da FMBRU. Os estudantes defendem a escolha de uma nova gestão por docentes da própria Faculdade de Medicina de Bauru, argumentando que a atual conjuntura exige o fortalecimento dos mecanismos internos de representação e diálogo.
A FMBRU foi criada oficialmente pela USP em março de 2024 e, conforme a resolução que instituiu a unidade, passou a ser dirigida por um diretor pro tempore indicado pelo reitor até a designação de um diretor. A página oficial da faculdade informa que a unidade permanece em fase de consolidação de sua estrutura e que José Sebastião dos Santos foi nomeado diretor pro tempore pela Reitoria.
Os estudantes também reivindicavam que não haja retaliações acadêmicas, administrativas ou disciplinares contra quem participou da manifestação de 21 de setembro ou aderiu à greve e pediam o abono das faltas decorrentes da paralisação, sem prejuízo acadêmico.
Em nota publicada em seu Instagram após o fim da grave, a FMBRU-USP reafirmou o compromisso da diretoria com o diálogo institucional, o respeito à livre manifestação estudantil e a preservação do ambiente acadêmico e reiterou que não ocorrerão retaliações acadêmicas ou administrativas em relação aos alunos que aderiram à greve ou à mobilizações.
A instituição declarou que irá se empenhar para viabilizar a reposição das atividades acadêmicas e manterá o compromisso de diálogo permanente com os estudantes para buscar soluções responsáveis, factíveis e compatíveis com a qualidade da formação médica.