Lins - A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Lins (102 quilômetros de Bauru), esclareceu uma ocorrência inicialmente registrada como tentativa de roubo e que, após diligências investigativas, revelou-se uma falsa comunicação de crime. Segundo o apurado, um homem teria inventado o crime após brigar com o companheiro.
O caso foi registrado no último dia 19, no Jardim Santa Clara. A ocorrência inicialmente relatada indicava que dois desconhecidos teriam invadido uma residência, agredido o morador e tentado roubar um veículo, além de exigir dinheiro e realização de transferências bancárias via PIX. Também foram constatados danos em carros que estavam no imóvel.
Durante a investigação, a pessoa que havia comunicado o suposto roubo foi formalmente ouvida pela Polícia Civil e apresentou narrativa segundo a qual dois desconhecidos teriam entrado na residência e praticado as agressões, além de tentarem levar um dos veículos. Durante a apuração, no entanto, as versões obtidas se mostraram divergentes e falsas.
Conforme a polícia, o companheiro do denunciante confessou que havia ocorrido uma discussão entre o casal após ele tentar deixar o local com um dos veículos. Segundo essa versão, durante a briga, ocorreu uma colisão entre os carros e luta corporal entre os dois e, irritado, ele teria danificado o próprio veículo utilizando um banco de madeira.
Indagado, o homem negou categoricamente a participação de terceiros e afirmou que não havia ocorrido tentativa de roubo. Novamente ouvida na delegacia, de acordo com a polícia, a suposta vítima apresentou uma versão diferente daquela inicialmente comunicada e admitiu expressamente que havia inventado a história de que teria sido roubada.
Segundo seu novo relato, os fatos tiveram origem em uma discussão com seu companheiro após uma confraternização onde eles haviam consumido bebidas alcoólicas da madrugada. O desentendimento teria ocorrido quando o companheiro pretendia deixar o local conduzindo um veículo. Durante a discussão, houve uma colisão entre os automóveis.
O denunciante admitiu que, posteriormente, um dos veículos foi danificado e reconheceu que, diante da situação, entrou em contato com uma amiga e informou falsamente que havia sido roubado. Conforme declarou, ele não imaginava inicialmente que a informação resultaria no acionamento da Polícia Militar (PM) e no registro formal da ocorrência.
Ainda de acordo com o depoimento, depois que a PM foi acionada, ele passou a sustentar a versão falsa perante os policiais por não saber como reverter a situação. Durante a oitiva, o comunicante também explicou a razão pela qual teria criado a versão falsa, alegando que ele e o companheiro estavam em processo de adoção de um filho.
Ele afirmou que ficou com receio de que a conduta atribuída ao companheiro, relacionada aos danos no veículo e à intenção de conduzir o automóvel após o consumo de bebidas alcoólicas, pudesse prejudicar o procedimento de adoção, o que o levou a tentar ocultar a verdadeira dinâmica dos acontecimentos mediante a criação da falsa narrativa de roubo.
Diante dos elementos reunidos, o relatório de investigação apontou a existência de indícios da prática do delito previsto no artigo 340 do Código Penal, que trata da comunicação falsa de crime. Em nota, a Polícia Civil ressalta que tem crescido em Lins os números de registros de situações de comunicação falsa de crime e alerta para os riscos dessa conduta.
"As pessoas, por mais que os meios de comunicação têm noticiado que as mentiras têm sido descobertas, ainda insistem em tentar ludibriar a polícia. Além de movimentar a equipe de investigação para um fato que não existiu, a notícia falsa de crimes graves, como roubos, gera sensação de insegurança na comunidade, que passa a acreditar que crimes graves têm aumentado em nossa cidade, quando na verdade têm diminuído consideravelmente", salienta.