Criar um arcabouço de governança corporativa sólido por meio de um conselho de consultivo pode fortalecer a transparência, a responsabilidade e o alinhamento estratégico de uma empresa.
Normalmente, o compromisso com o propósito corporativo conduz a empresa a longevidade e aos resultados pretendidos no médio e longo prazo.
Neste contexto assume-se que um conselho de gestão - administrativo ou consultivo - é uma boa prática de governança corporativa.
A questão que fica é: qual a estrutura desta governança que a empresa suporta e como devem estar preparados os seus componentes?
Alguns critérios que constam dos melhores manuais de boas práticas de governança corporativa devem ser observados, tais como:
• Composição do Conselho: membros independentes para garantir imparcialidade; diversidade de competências; política clara de nomeação, mandato e avaliação.
• Comitês de Apoio: quando necessário, comitês técnicos especializados como Auditoria, ESG/Sustentabilidade, Pessoas entre outros.
• Práticas de Transparência e Prestação de Contas: relatórios regulares para os stakeholders (partes interessadas) e política de divulgação de informações relevantes.
• Relacionamento efetivo com a Diretoria Executiva: definição clara de papéis entre o conselho, como órgão deliberativo, e diretoria como executivo.
• Cultura de Ética e Conformidade (Compliance): Código de Conduta aprovado e monitorado pelo conselho.
Implementar boas práticas de governança corporativa deve ser entendido como um processo gradual, totalmente viável, mesmo para empresas de menor porte. Deve seguir um passo a passo prático e compatível com a capacidade de operacionalização da empresa. Algumas das etapas recomendadas são:
• Diagnóstico Inicial: avaliação da estrutura atual de governança da empresa e identificação de possíveis lacunas em relação às boas práticas de governança (Ritos, Rituais e Rotinas).
• Engajamento da Alta Liderança: envolver sócios, diretores e líderes-chave para garantir apoio e comprometimento.
• Criação ou Fortalecimento do Conselho de Administração e/ou Consultivo: recomenda-se começar com um conselho consultivo, se ainda não houver um deliberativo, diversidade de perfis, com membros independentes e especialistas e definido claramente o papel do conselho nas decisões estratégicas, fiscalização e apoio à diretoria.
• Formalização de Políticas e Códigos: um Código de Conduta deve ser elaborado e políticas de ética e compliance, estabelecidas.
• Instituição de Comitês: conforme a maturidade da empresa ou demandas específicas recomenda-se a criação de comitês, como apoio do conselho, visando ajudar a monitorar áreas críticas com mais profundidade.
• Capacitação e Avaliação: deve ser previsto treinamentos periódicos com conselheiros e gestores bem como avaliações de desempenho do conselho e da diretoria, com indicadores previamente definidos.
• Transparência e Comunicação: deve ocorrer a publicação de relatórios de governança, ainda que internos, para criar cultura de prestação de contas, assim como existir um canal de comunicação com os stakeholders.
Engajar a liderança na governança corporativa é essencial para que as boas práticas saiam do papel e se tornem parte da cultura da empresa.
As estratégias de engajamento variam bastante entre setores de atuação de cada negócio pois cada um possui a sua dinâmica e com objetivos públicos diferentes.
Engajar pessoas em pequenas ou grandes empresas pode ser um enorme desafio, mas também uma grande oportunidade de criar uma cultura forte e robusta ao longo do tempo. Alguns elementos são comuns para qualquer porte econômico de uma empresa:
• Cultura de pertencimento: funcionários das empresas costumam valorizar um ambiente onde se sintam parte da missão. O compartilhamento dos objetivos do negócio, o envolvimento nas decisões pode valorizar o processo de conquistas coletivas.
• Comunicação aberta e frequente: manter canais de diálogo acessíveis e transparentes podem auxiliar o processo engajamento. Reuniões periódicas e feedbacks constantes podem ajudar manter todos alinhados e motivados.
• Capacitação continuada: mesmo com orçamento financeiro limitado, é possível oferecer treinamentos internos, mentorias ou acesso a conteúdo online. Isso demonstra valorização e estimula o crescimento profissional.
• Reconhecimento e valorização: reconhecimento não precisa ser necessariamente financeiro. Um elogio público, um destaque em reuniões ou pequenas recompensas simbólicas podem fazer diferença no engajamento.
• Autonomia com responsabilidade: permitir que os colaboradores tomem decisões e proponham melhorias podem aumentar o senso de pertencimento e o comprometimento com os resultados.
Em um cenário empresarial cada vez mais volátil e competitivo, o fortalecimento da governança corporativa por meio de um conselho de administração e/ou consultivo atuante e engajado torna-se essencial para a longevidade dos negócios. A adoção de boas práticas de governança, acompanhada do envolvimento efetivo da liderança, é o elo que transforma princípios em atitudes e estratégias em resultados tangíveis.
Independentemente do porte ou setor da empresa, investir em transparência, ética e participação constrói uma cultura organizacional sólida, capaz de enfrentar desafios com resiliência e gerar valor sustentável no longo prazo. Assim, a governança deixa de ser apenas uma exigência regulatória para se tornar uma ferramenta estratégica de transformação e crescimento responsável.