OPINIÃO

'Quando a Vera Cruz Encantou os Cinemas de Bauru'

Por Daniel Varoli Ramos* e Cláudia Leonor Guedes de Azevedo Oliveira | Daniel é graduando em História no Unisagrado, bolsista CNPq na modalidade de Iniciação Científica e Cláudia é Docente no Unisagrado, orientadora de Iniciação Científica
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Aos 130 anos, Bauru orgulha-se de sua história marcada pelos trilhos das ferrovias e pela efervescência do seu comércio. No entanto, a década de 1950 também foi um momento fascinante da vida cultural da cidade: a chegada das produções da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Conhecida como a “Hollywood Brasileira”, a produtora paulista sediada em São Bernardo do Campo, buscava colocar o cinema nacional em patamar internacional, tendo encontrado, nas telas dos cinemas bauruenses, um público fervoroso.

Nas páginas do jornal Diário de Bauru, os exemplares revelam que ir ao cinema não era apenas um entretenimento. Salas como o Cine Bandeirantes, Cine São Rafael, Cine Bauru, e a partir de 1954, as inaugurações do Cine Bela Vista e o suntuoso Cine São Paulo, transformavam a vida social do município. Foi lá que a população assistiu, com ingressos que variavam de Cr$ 2,50 a Cr$ 10,00 sucessos como a primeira produção cinematográfica de Mazzaropi, Saí da Frente, além dos clássicos como O Cangaceiro e Sinhá Moça.

Grandes estrelas como Tônia Carrero, Anselmo Duarte e Eliane Lage estampavam os anúncios impressos. As sessões obtinham um grande apelo comercial; exemplo disso é o filme Tico-Tico no Fubá, que expandiu os horários de exibição, introduzindo as sessões vesperais (14h) nos sábados e domingos. Floradas na Serra, filme com a GRANDE Cacilda Becker, chegou a operar em regime de alta rotatividade, com 5 sessões aos fins de semana.

Longe de ser um mero pólo passivo de recepção das fitas produzidas, a cidade revelou-se enquanto mercado capaz de articular diferentes perfis de público, estratégias tarifárias e as dinâmicas de exibição dos filmes em seu circuito. Isso mostra, que em Bauru, os empresários do ramo cinematográfico souberam criar mecanismos de flexibilização para garantir a circulação das produções.

Relembrar a trajetória da Companhia Cinematográfica Vera Cruz em Bauru, ao comemorar seus 130 anos, é reconhecer que nossa cidade nunca esteve à margem das grandes transformações culturais do país. Bauru não apenas assistiu ao nascimento do cinema industrial brasileiro, mas ajudou a construir sua história.

* ERRATA - Por engano, na edição impressa do Jornal da Cidade de 5 de setembro não foi mencionado na autoria do referido artigo o nome do aluno Daniel Varoli Ramos,  aluno do curso de História,  e bolsista de Iniciação Científica da Unisagrado

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