Foram nove meses de um tratamento exaustivo, 16 sessões de quimioterapia, uma mastectomia radical e muitos dias intensos e difíceis. Mas também foi um período de fé, amor, apoio e esperança na vida da bauruense Kamila Nathachi do Nascimento Japoni, de 37 anos, que comemorou, na noite de segunda-feira (24), um dos momentos mais aguardados desde que descobriu um câncer de mama. Ela realizou a última sessão de quimioterapia e comemorou o fim desse ciclo com uma carreata pelas ruas de Bauru.
Gerente de Operações da Concilig, Kamila recebeu o diagnóstico de câncer de mama triplo negativo no seio direito em 17 de novembro de 2025. O tumor foi descoberto após ela sentir um caroço que doía, pouco antes da época em que faria novamente os exames de rotina. Atenta à própria saúde, procurou imediatamente uma mastologista. “Foi um baque enorme, mas ter escutado meu corpo e agido rápido foi fundamental”, conta.
A descoberta deu início a uma longa jornada. Kamila passou pela mastectomia radical no seio direito e, após 50 dias de recuperação da cirurgia, iniciou as sessões de quimioterapia. Durante o tratamento, ela transformou a contagem regressiva em uma forma de manter a esperança. Na 16ª e última sessão, a contagem finalmente chegou a zero. “A sensação foi indescritível. Ver aquela contagem chegar a zero foi a confirmação da vitória e o alívio de saber que completei esse ciclo.”
CARREATA DA VITÓRIA
A celebração foi organizada pela amiga Jessica Pereira, que conhece Kamila há mais de 20 anos. As duas cresceram juntas, e Jessica fez questão de preparar uma homenagem especial para marcar o encerramento do tratamento. Luana Paula também participou da organização e preparou cartazes para a carreata.
“Esse dia resumiu o amor e a união de todos que torceram por mim. Ver os carros, os cartazes e o carinho da minha família e amigos me mostrou que nenhuma dor foi em vão. Foi o dia de celebrar a vida, a fé e o início de uma nova história.”
Para ela, a frase que melhor resume a ocasião é: “A vitória é do tamanho da fé que me manteve de pé.” Apesar da celebração, Kamila não esconde que o caminho foi difícil. Segundo ela, as quimioterapias foram a parte mais complicada de todo o tratamento.
“Os efeitos colaterais são extremamente intensos e exigem uma força que a gente nem sabia que tinha. Só quem passa por isso entende de verdade o tamanho desse desafio”, afirma.
Nos momentos em que o corpo e a mente pareciam não suportar mais, o apoio das pessoas próximas serviu como combustível. O marido, Luiz Fernando Japoni; os filhos, Lucas Miguel e Pietro Gabriel; a mãe, Maria Amélia; os irmãos e os amigos foram fundamentais durante a jornada.
A fé também teve papel importante. Kamila destaca o apoio recebido da igreja Ministério Dynamis e dos pastores Kelli e Willians Valote. Ela conta ainda que, ao compartilhar a rotina do tratamento nas redes sociais, passou a receber mensagens de pessoas que sequer conhecia pessoalmente. Kamila também faz questão de agradecer à Concilig, empresa onde trabalhava havia apenas 45 dias quando recebeu o diagnóstico. Segundo ela, encontrou acolhimento e apoio desde o início, especialmente de Rodrigo Mandaliti, dos sócios e diretores Raphael Souza Gonçalves e Tatiana Mendes e do superintendente Lucas Figueiredo.
O fim da quimioterapia não representa o encerramento de todos os desafios. Kamila ainda terá acompanhamento médico e deverá refazer os exames em cerca de 15 dias. Ela também planeja retornar em breve ao trabalho e reencontrar a equipe.