A retomada das obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa, em Bauru, nesta terça-feira (28), deve marcar uma mudança de conceito no saneamento da cidade. O novo projeto prevê a adoção de um sistema biológico inédito no País para remoção de fósforo e nitrogênio, a geração de energia elétrica a partir do biogás produzido no tratamento do lodo e a transformação dos resíduos em fertilizante agrícola. As tecnologias prometem colocar a futura ETE entre as mais modernas e eficientes do Brasil, além de permitir que o município alcance, pela primeira vez, 100% de tratamento de esgoto.
As informações foram passadas pelo diretor-presidente do Consórcio Saneamento Bauru (CSB), Nei Moreira, e pelo do Diretor Operacional da CSB, Renato Camargo, durante visita técnica na ETE, que contou com a presença da prefeita Suéllen Rosim, do presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE), João Carlos Viegas de Souza; dos secretários municipais de Infraestrutura, Pérola Zanotto; de Governo, Renato Purini; do chefe de Gabinete, Leonardo Marcari; e dos vereadores de Markinho Souza, André Maldonado, Sandro Bussola, Marcelo Afonso e Edson Miguel, além de funcionários da Prefeitura, DAE e CSB.
O principal diferencial da ETE será a implantação da tecnologia holandesa Nereda, baseada em reatores biológicos de lodo granular. Segundo Nei Moreira, o sistema permitirá um nível inédito de remoção de fósforo e nitrogênio, substâncias responsáveis pela degradação dos rios e pela proliferação de plantas aquáticas no Rio Tietê, onde o Rio Bauru deságua, problema que já provocou impactos inclusive na hidrovia Tietê-Paraná. "Levamos em consideração uma solução com um padrão tecnológico que imagino que colocará esta estação entre as dez mais eficientes do Brasil. Estamos prevendo uma remoção de fósforo e nitrogênio em um padrão que hoje não existe em nenhuma estação em funcionamento com essa tecnologia", afirmou.
O projeto prevê ainda a construção de novos reatores circulares com fundações totalmente novas, substituindo parte das estruturas comprometidas por fissuras e problemas estruturais identificados na obra original. A decisão, segundo Nei, busca garantir maior segurança operacional e eficiência durante os 30 anos de concessão.
Outro avanço previsto é o aproveitamento do biogás gerado pelos biodigestores para produção de energia elétrica. O diretor de engenharia da concessionária, Renato Camargo, explicou que o gás produzido durante o tratamento do lodo será convertido em eletricidade para abastecer a própria estação. "A parte gasosa que sai dos biodigestores será transformada em energia elétrica. Toda a geração será reutilizada na ETE", destacou. Embora a unidade não seja totalmente autossuficiente inicialmente, a expectativa é ampliar gradativamente a produção de energia.
Além da geração de energia, o projeto prevê que todo o lodo produzido no tratamento passe por biodigestão e compostagem, sendo convertido em fertilizante agrícola. Segundo Nei Moreira, serão produzidas cerca de 80 toneladas por dia de composto orgânico, que poderá ser comercializado. "O lodo será transformado em fertilizante. É uma solução ambientalmente adequada e muito interessante para os produtores rurais. Além disso, resíduos como galhos e restos de poda também poderão ser utilizados na compostagem", explicou. A receita obtida será compartilhada com o município, conforme prevê o contrato de concessão.
Segundo a prefeita Suéllen Rosim, a retomada das obras representa um marco histórico para o município, que hoje trata menos de 5% do esgoto produzido. "Hoje a gente passa a escrever uma nova história. Nunca estivemos tão perto de realizar esse sonho. Bauru vai deixar para trás um dos piores índices de saneamento e caminhar para tratar 100% do esgoto", afirmou.
Ela também destacou que a modernização da ETE deve melhorar os indicadores ambientais, fortalecer a economia local e tornar Bauru mais atrativa para novos investimentos. "Essa obra é um compromisso com as próximas gerações. Estamos construindo uma cidade mais sustentável, com mais qualidade ambiental e preparada para o futuro", concluiu.
O prazo da entrada em operação da ETE é para daqui a 36 meses, ou seja, 3 anos. Suéllen afirmou que cumprirá um compromisso que fez com os bauruenses, que é a fazer a entrega “nem que seja o último ato. Nós vamos trabalhar para isso. Eu quero ter o privilégio de, assim como comecei o processo de solução do problema, de ter a oportunidade, como costumo brincar, apertar o botão e colocar essa máquina da estação para funcionar, nem que seja o último ato de 31 de dezembro de 2028, e cumprir um compromisso que fiz com os bauruenses, que é a fazer a entrega.”
A prefeita vê a retomada da obra como de muita celebração: “Aqui a gente tem a solução para a ETE Vargem Limpa e aqui a gente tem a solução para as drenagens da avenida Nações Unidas. Ou seja, vamos ter uma cidade com esgoto tratado e vamos ter uma avenida sem alagar, depois de quase 30 anos. Então, é motivo de muita celebração”, enfatizou.