O crescente número de veículos na cidade, principalmente de motocicletas com escapamentos "abertos" e ocorrências de rachas fez com que a Polícia Militar intensificasse as fiscalizações em pontos estratégicos de Bauru. Em entrevista ao JCNET e ao JC impresso, o novo comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), tenente-coronel Gustavo Cardoso Xavier, afirmou que o combate às infrações de trânsito, como rachas, manobras perigosas e motocicletas com escapamentos irregulares, é uma das prioridades da corporação em Bauru e nas cidades de abrangência do Batalhão. Paralelamente, a Polícia Militar também pretende intensificar ações preventivas para reduzir furtos e roubos, apostando no policiamento ostensivo, na tecnologia e na participação da população.
Com 28 anos de carreira na Polícia Militar (PM), Gustavo Xavier assumiu recentemente o comando do batalhão, responsável pelo policiamento preventivo e ostensivo em 19 municípios da região de Bauru. Ao longo da carreira, atuou em áreas operacionais, administrativas e de inteligência, além de exercer diversas funções estratégicas dentro do próprio 4.º BPM-I.
Segundo o comandante, a atuação da PM é baseada na análise dos indicadores criminais (principalmente por meio do boletim de ocorrência) para direcionar o efetivo às regiões com maior necessidade. "Nossa principal missão é prevenir o crime. Nem sempre é possível impedir todos os delitos, mas trabalhamos para reduzir sua incidência por meio do planejamento e da presença ostensiva da polícia", destacou.
Em relação à onda de furtos registrados na cidade, o tenente-coronel reconhece que diversos fatores contribuem para o aumento desse tipo de crime, como a dependência química e questões sociais. No entanto, ressalta que a Polícia Militar atua na etapa final desse processo, quando ocorre a prática criminosa.
Ele também defende que o enfrentamento da criminalidade depende da atuação conjunta entre a PM, o poder público, moradores e comerciantes. De acordo com Xavier, imóveis abandonados, terrenos sem manutenção e locais com iluminação deficiente acabam favorecendo a ação de criminosos.
Outro ponto considerado essencial é o registro dos boletins de ocorrência. Segundo o comandante, as informações fornecidas pela população permitem identificar áreas com maior incidência criminal e direcionar o policiamento de forma mais eficiente. Além disso, ele reforçou a importância de iniciativas como o programa Vizinhança Solidária, que aproxima moradores e Polícia Militar por meio de grupos de comunicação e troca rápida de informações.
FISCALIZAÇÃO NO TRÂNSITO
Entre as principais preocupações do novo comando também está a segurança no trânsito. O tenente-coronel afirma que o crescimento da frota de veículos em Bauru aumentou os desafios para a fiscalização. Uma das ações recentes foi a Operação Direção Segura e Silenciosa, voltada principalmente à fiscalização de motocicletas com escapamentos irregulares, que provocam perturbação do sossego e, muitas vezes, apresentam outras irregularidades capazes de colocar em risco a segurança viária.
Segundo o comandante, somente durante uma das ações foram fiscalizados 607 veículos, resultando em diversas autuações e apreensões de veículos em situação irregular. "A operação tem apresentado resultados positivos. Além de combater os escapamentos irregulares, conseguimos identificar outras infrações de trânsito e até prevenir crimes durante as abordagens", afirmou.
O tenente-coronel explicou ainda que os bloqueios policiais têm um papel importante na prevenção. Para ele, além da fiscalização, a presença visível das equipes aumenta a sensação de segurança da população e inibe tanto infrações de trânsito quanto a prática de crimes.
Questionado sobre os chamados "rachas", motoristas realizando manobras perigosas e acelerações em vias públicas, Gustavo Xavier destacou que o trabalho depende diretamente das informações repassadas pelos moradores.
Segundo ele, denúncias indicando locais, horários e, quando possível, características dos veículos permitem à Polícia Militar planejar operações específicas para coibir essas práticas. "As informações precisam chegar à polícia para que possamos direcionar nossas equipes aos pontos onde esses problemas realmente acontecem", explicou.