IGREJA CATÓLICA

Queridos irmãos e irmãs

Por Dom Caetano Ferrari | Bispo Emérito - Diocese de Bauru
| Tempo de leitura: 3 min

A Palavra de Deus deste domingo nos faz uma pergunta muito concreta: o que realmente é valioso para nós? O que ocupa o primeiro lugar no nosso coração, em nossa vida? Na primeira leitura, Salomão recebe de Deus uma oportunidade única: "Pede o que desejas". Poderia pedir riquezas, poder, sucesso ou uma vida longa; mas ele pede um coração sábio, capaz de discernir o bem e o mal e de governar o povo com justiça. Deus se alegra porque Salomão compreendeu que a maior riqueza não está em possuir muitas coisas, mas em possuir um coração iluminado por Deus.

Nessa mesma direção o Salmo responde de forma belíssima: "Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!". Para o salmista, a Palavra de Deus vale mais do que ouro e prata. Quem descobre esse tesouro percebe que nada neste mundo pode substituí-lo.

São Paulo, na segunda leitura, nos leva ainda mais longe. Ele afirma que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus. Isso não significa que a vida será sem sofrimentos, mas que Deus é capaz de transformar até as cruzes em caminho de salvação. O maior projeto de Deus é fazer com que nos tornemos semelhantes ao seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

É justamente aí que o Evangelho encontra sua força. Jesus primeiramente compara o Reino dos Céus a um tesouro escondido e a uma pérola de valor incalculável. Em ambos os casos, quem encontra esse bem vende tudo para adquiri-lo. Não porque perdeu alguma coisa, mas porque encontrou algo infinitamente melhor. O cristianismo não é, antes de tudo, uma lista de proibições ou obrigações. É o encontro com um tesouro. Quando alguém encontra Cristo de verdade, muita coisa muda naturalmente. O perdão deixa de ser um peso e passa a ser uma escolha. A oração deixa de ser um dever e se torna um encontro. A caridade deixa de ser uma obrigação e se transforma em alegria. Depois, Jesus fala da rede lançada ao mar. Ela recolhe peixes de toda espécie, mas, no fim, acontece a separação. É um lembrete de que Deus oferece sua graça a todos, mas espera de nós uma resposta concreta, fruto da nossa liberdade. Não basta dizer que conhecemos Jesus; é preciso viver como discípulos do Reino.

No final, Jesus fala da figura do mestre da Lei (discípulo do Reino dos Céus) comparado ao pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas. Ou seja, a verdadeira sabedoria sabe conservar o que é eterno e, ao mesmo tempo, encontrar formas novas de anunciar essa mesma verdade. A Igreja faz isso há dois mil anos: o Evangelho é sempre o mesmo, mas continua novo porque responde às necessidades de cada geração.

Por fim, neste domingo ainda celebramos o Dia dos Avós, uma ocasião para agradecer a Deus por tantos avós que, muitas vezes com simplicidade, transmitiram aos filhos e netos o maior dos tesouros: a fé. Quantos aprenderam a fazer o sinal da cruz, a rezar um terço ou a confiar em Deus no colo dos avós! Que eles sejam sempre valorizados e amados, e que os avós já falecidos recebam de Deus a recompensa eterna.

Peçamos hoje a mesma graça que Salomão pediu: um coração sábio. Um coração capaz de reconhecer que o verdadeiro tesouro não está nas riquezas, no prestígio ou nas conquistas passageiras, mas em Cristo. Quem encontra esse tesouro pode até perder muitas coisas ao longo da vida, mas jamais ficará pobre, porque descobriu aquilo que ninguém pode lhe tirar: o Reino de Deus, o maior tesouro.

Assim seja!

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