EM APURAÇÃO

Mulher denuncia professor por ameaça e antissemitismo em Bauru

Por Bruno Freitas | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Ilustração
Ela procurou a Polícia Civil, a Secretaria de Educação, a Federação Israelita do Estado de São Paulo e também a Confederação Israelita do Brasil
Ela procurou a Polícia Civil, a Secretaria de Educação, a Federação Israelita do Estado de São Paulo e também a Confederação Israelita do Brasil

Uma mulher judia, moradora de Bauru, de 38 anos, denunciou mensagens de ameaça e de um possível antissemitismo que recebeu do professor de sua filha, que atua como docente em uma escola municipal de ensino fundamental de Bauru. Ela procurou a Polícia Civil para registrar boletim de ocorrência, e o caso já está sob apuração da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), apurou o JCNET. A bauruense também protocolou uma denúncia na Secretaria Municipal de Educação de Bauru, na Federação Israelita do Estado de São Paulo e na Confederação Israelita do Brasil.

“O antissemitismo se enquadra na mesma lei do racismo. Onde já se viu me escrever isso e ainda ameaçar me dar uma voadora? E ainda querer usar "kkkk" para minimizar. O povo judeu não pode se calar diante disso”, frisou ela à reportagem. Conforme lembrou a vítima, o antissemitismo no Brasil é equiparado ao crime de racismo, enquadrando-se na Lei nº 7.716/1989. A pena prevista para essa prática é de reclusão de 2 a 5 anos, além de multa, e o crime é inafiançável e imprescritível.

Veja a mensagem recebida pela mulher na íntegra: “Então, sobre o vídeo, o discurso é muito bonito (nacionalismo, existência de um povo etc), mas na prática é bem diferente. É matança de palestinos, inclusive crianças... O sionismo cumpriu seu papel em 1948, quando o Estado de Israel foi criado. De lá para cá, todo território que Israel anexou foi conquistado à base da morte de inocentes... Eu amo a religião judaica, eu amo a cultura do povo de Israel. Inclusive, tinha uma Torá em casa até esses dias atrás para estudo, mas, de coração, não sou e nunca serei defensor do sionismo... Se você for sionista, na próxima reunião de pais te dou uma voadora, fica esperta, viu kkkkk”, diz a mensagem enviada pelo professor a mãe de sua aluna.

A Secretaria Municipal da Educação informou ao JCNET que recebeu, na manhã desta quarta-feira (1), a denúncia envolvendo o professor da EMEF, após o registro de Boletim de Ocorrência pela mãe de uma aluna, no qual são relatadas supostas ofensas de caráter antissemita. A partir do recebimento da denúncia, a Secretaria adotará os procedimentos administrativos cabíveis para apurar os fatos, assegurando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.

A Secretaria Municipal da Educação repudia toda e qualquer forma de intolerância, discriminação ou preconceito, incluindo a intolerância religiosa, e reafirma seu compromisso com o respeito à diversidade, aos direitos humanos e à promoção de um ambiente escolar pautado pelo diálogo, pela inclusão e pelo respeito mútuo.

ANTISSEMITISMO

O antissemitismo é o preconceito, a hostilidade, a discriminação ou a violência direcionada contra o povo judeu. Reconhecido como uma forma de racismo, o termo abrange desde estereótipos prejudiciais e teorias da conspiração até ataques físicos e perseguições sistêmicas.

SIONISMO

O sionismo, também chamado de nacionalismo judaico, historicamente propõe a superação da Diáspora Judaica por meio do retorno dos judeus ao atual Estado de Israel. O movimento defende a manutenção da identidade judaica, opondo-se à assimilação dos judeus pelas sociedades dos países em que viviam.

ANTISSIONISMO

Antissionismo é a oposição política, moral ou religiosa ao sionismo, o movimento que defende a existência de um Estado judeu. Enquanto alguns separam a crítica ao Estado de Israel do ódio aos judeus, organizações e especialistas alertam que essa oposição pode, em determinadas circunstâncias, cruzar a linha do antissemitismo. O termo refere-se à rejeição do conceito que estabeleceu Israel como pátria ancestral do povo judeu. No século XIX, o antissionismo era uma discussão interna ao mundo judaico, em que correntes socialistas e religiosas debatiam se o futuro do povo judeu estava na integração às sociedades em que vivia ou na criação de um Estado próprio.

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