Lençóis Paulista - Uma menina de 3 anos foi brutalmente espancada e chegou a sofrer uma lesão grave no fígado, além de lesões por todo corpo, em decorrência das agressões, em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). Os suspeitos do crime são a mãe e o padrasto da criança, que respondem pelo crime de tortura. A Polícia Civil já concluiu o inquérito instaurado para apurar o caso e representou pela prisão preventiva do casal. O pedido é analisado pela Justiça e o processo corre em segredo. Os nomes dos envolvidos não serão divulgados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O crime ocorreu no final de abril. Conforme apurado pela reportagem, a menina - hoje com quatro anos - deu entrada na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Lençóis Paulista, em 22 de abril, com hematomas por todo o corpo, alguns mais antigos, e trauma interno. Posteriormente, foi transferida para o Hospital Estadual (HE) de Bauru, onde ficou internada por 11 dias em leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Na ocasião, a mãe da criança apresentou diversas versões para justificar as lesões, primeiro alegando que a filha havia caído de um brinquedo em um parque infantil e batido a cabeça quando estava sob os cuidados do padrasto, e, depois, dizendo que ela havia caído da cama. Ela também teria afirmado que os ferimentos eram decorrentes de brincadeira com uma criança e que uma colega de escola havia pulado na barriga dela.
O Conselho Tutelar e o Ministério Público (MP) foram acionados pelas equipes de saúde. Por meio de nota, a Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude de Lençóis Paulista informou que foram adotadas ações de proteção à criança, com a aplicação de medidas previstas no ECA, e o afastamento do convívio com a mãe e o padrasto. Na sequência, a Polícia Civil foi oficiada para investigar a suposta prática de crime de tortura.
Após investigações e oitivas de testemunhas, inclusive de profissionais da área da saúde que atenderam a menina, e relataram que ela correu risco de morte em razão das lesões internas, a Polícia Civil indiciou os suspeitos por vários crimes, entre eles tentativa de homicídio, e pediu a prisão preventiva do casal. O MP se manifestou de forma contrária à prisão e, agora, o pedido é analisado pela Justiça. Em nota, a Promotoria disse que foi oferecida denúncia contra o padrasto e a mãe e que eles são processados por crime de tortura.