O Tribunal do Júri do Fórum de Bauru julga nesta terça-feira (9), pela segunda vez, Edna Aparecida de Souza Ribeiro. Ela é acusada de tentar matar a própria filha, que tinha 9 anos na época do crime, em 2014, utilizando veneno de rato. O crime aconteceu no Parque Santa Edwirges e, segundo a denúncia do Ministério Público, a motivação teria sido uma vingança contra o ex-marido, pai da criança.
De acordo com as investigações policiais da época, no dia 14 de agosto de 2014 Edna serviu uma sopa para a filha com uma aparência avermelhada. Devido à forte ardência, a criança chegou a questionar a mãe, que alegou falsamente se tratar de uma mistura de beterraba com pimenta. Na verdade, o alimento continha veneno para rato conhecido como "chumbinho". Em vídeo gravado pela polícia logo após o flagrante, a ré confessou que ferveu o veneno junto com a refeição e ingeriu uma parte antes de dar para a filha.
Além do envenenamento, o histórico do caso revela contornos de extrema violência e chantagem psicológica contra a família. Após a ingestão do alimento, a mãe ameaçou a criança utilizando uma faca. Sefgundo a acusação, Edna impediu que o pai prestasse socorro imediato à filha intoxicada. O atendimento médico à vítima só foi liberado pela ré após o ex-marido ceder a uma chantagem e aceitar transferir um carro para o nome dela. A menina sobreviveu à tentativa de homicídio após passar quatro dias internada em estado grave no Hospital Estadual de Bauru.
Anulação de julgamento anterior
Edna Aparecida de Souza Ribeiro foi submetida a um primeiro júri popular em 28 de abril de 2022. Na ocasião, embora denunciada por tentativa de homicídio, ela acabou sendo condenada por lesão corporal qualificada por motivo torpe e extorsão mediante sequestro, recebendo uma pena de 25 anos, seis meses e 13 dias de prisão em regime fechado. Após a sentença, ela chegou a ser encaminhada para a penitenciária de Tremembé (SP).
Contudo, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) anulou aquela decisão por questões técnicas processuais, permitindo que a ré respondesse ao processo em liberdade até a realização deste novo júri. A sessão desta terça começou às 9h, no Salão do Júri. Os advogados Thiago Munaro, Thiago Tezani e Vinicius Borges sustentam a tese de absolvição da ré. O Ministério Público mantém a acusação de tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e uso de meio cruel (veneno).