Muitas vezes me vejo perguntando o que realmente aconteceu com Bauru. Vim para essa cidade a tiracolo do meu pai em 1957, sr. Macedo. Meu falecido pai inaugurou o Corpo de Bombeiro de Bauru.
Deixei a cidade algumas vezes por motivos profissionais, mas a saudade sempre me trazia de volta à "terrinha". Cresci, casei, tive filhos, netos, mas a "âncora" afetiva sempre me "prendeu" a essa cidade.
Sou do tempo do comércio pujante, que atraia milhares de visitantes da região em busca de novidades que não chegavam as "lojinhas" das pequenas cidades ao entorno. A indústria e o comércio geravam empregos, as regionais traziam consigo o alto escalão que, por serem bem remunerados, gastavam muito em nosso comércio.
Como era gostoso ver consumidores lotando as lojas em busca de novidades, característica dos polos regionais. Devagar, vimos as grandes indústrias "migrando" para outras cidades, estatais transferindo suas regionais, voos desaparecendo, grandes magazines encerrando atividades e bancos fechando agências.
O reflexo disso é vermos nossos jovens saindo em busca de empregos e oportunidades profissionais, trabalhar em supermercados e empresas de prestação de serviços. Ainda bem que existem e somos gratos, é paliativo e temporário, não solução para uma desejada ascensão profissional. A Batista de Carvalho, hoje Calçadão, é apenas um arremedo dos áureos tempos. Por toda a cidade as placas "temos vagas" foram substituídas por "aluga-se" ou "vendo".
Nos shoppings da cidade vemos mais movimentação na Praça de Alimentação e cinemas do que de consumidores nas lojas.
Podem achar que muito disso é reflexo da situação econômica do País, não concordo, se esse fosse o motivo todos os municípios estariam na mesma situação, pelo contrário, não só na região, mas também pelo Brasil afora, muitas cidades cresceram e ultrapassaram nossa cidade em todos os índices, econômicos e sociais.
Reputo isso à falta de iniciativa e criatividade dos nossos governantes, de longa data propósitos pessoais foram colocados à frente do coletivo. A bem da verdade, a conclusão que chegamos é que tudo que foi e está sendo feito é apenas para manutenção da cidade.
Entre "um buraco tapado aqui", um asfaltinho ali" e uns "eventos acolá" vamos sobrevivendo. Mas como dizem, "não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe", uma hora a gente "acerta o pé". Só espero que não seja tarde demais, Bauru ainda é "grande", muitas coisas acontecendo e é ótima para se viver, mas uma hora a corda arrebenta e a "vaca vai pro brejo".
A pergunta que fica é, "Quem poderá nos salvar?" Acho que nem Chapolin Colorado vai conseguir se continuarmos nesse ritmo.