O corpo adulto têm 10 trilhões de células com 206 tipos diferentes. Cada tipo tem seu potencial proliferativo maior ou menor frente a um estímulo ou agressão, o que se chama capacidade de adaptação.
Se o estímulo for maior em um tecido que não prolifera mais, só tem um jeito de aumentar sua capacidade funcional, aumentando o volume das células. Isto é típico dos músculos esquelético e cardíaco.
Os músculos crescem pelo aumento de volume de suas células e não porque proliferam mais que as demais, pois suas células ou fibras são mitoticamente incompetentes. Este fenômeno é conhecido como hipertrofia.
O coração tem o ventrículo esquerdo mais espesso, pois precisa de mais força para jogar o sangue para o corpo inteiro, enquanto o direito joga sangue para os pulmões, em menor esforço. Se a pessoa ficar muito musculosa, muito sangue terá que ser bombeado pelo coração que fica hipertrófico, diminuindo o interior de sua cavidade.
Os vasos sanguíneos próprios não conseguirão acompanhar o aumento de volume e parte do órgão fica sem sangue e necrosa com infarto do miocárdio, podendo ser acompanhado de morte. Isto pode ocorrer com atletas, especialmente com os que usam os hormônios anabolizantes que aumentam, mais ainda, a hipertrofia muscular.
DIFERENTE
Os neurônios também não proliferam e o homem precisava de mais memória, mas para isto aumentaria muito o tamanho da cabeça e a mulher não resistiria no parto. A espécie optou por fazer diferente. Começou a contar as coisas para as futuras gerações, sem precisar de guardá-las nos neurônios. As informações em parte, passaram a ser guardadas de outra forma.
Mas, a espécie precisava de mais memória ainda, e assim se construiu máquinas para guardar muitas informações, criando se os computadores e centros de informação armazenada ou “datacenters”.
HIPERPLASIA
Alguns tecidos conseguem aumentar por proliferar as células e se adaptar às necessidades funcionais como a pele e mucosas, medula óssea, vísceras e até os ossos. Quando se aumenta o tamanho por aumento do número de células, temos a hiperplasia, outra forma de adaptação do corpo ao meio ambiente.
Na mucosa bucal temos algumas hiperplasias como aqueles aumentos de volume por mordidas ou traumatizamos no mesmo lugar. Ou na gengiva, quando tomamos algumas drogas como efeito colateral. As glândulas com frequência aumentam de volume por hiperplasia, especialmente para cumprir ou compensar alguma função diminuída.
METAPLASIA
Mas, às vezes, não dá para se adaptar com a hipertrofia ou hiperplasia, aí as células mudam sua estrutura, se “rea-harmonizam” e trocam a aparência, para tentar se adaptar àquela função. Quando se fuma, a mucosa bucal fica mais espessa, queratinizada e menos sensível, o mesmo ocorrendo com a mucosa da traqueia. Quando se muda a aparência para se adaptar a uma situação, isto se chama metaplasia, uma verdadeira metamorfose tecidual.
REFLEXÃO FINAL: E O CÂNCER?
Quando hipertrofia, hiperplasia e ou metaplasia não conseguem dar resposta aquele estimulo ou agressão, as células tentam mudar perigosamente os genes para criar formas inovadoras e cumprir possíveis novas funções.
Essa mexida no genoma pode fazer com que as células percam o controle sobre a proliferação e tornam se displásicas ou diferentes. A displasia e novas formas conhecidas como pleomorfismo, representam a antessala das neoplasias benignas e malignas, como os carcinomas nos epitélios, sarcomas nos conjuntivos, linfomas na medula e linfonodos, etc.
Até pode-se exigir um pouco mais de nossos tecidos, mas vamos com calma, se ultrapassarmos os limites, ainda não delineáveis, podemos por a vida, ou a qualidade dela, em perigo. Será que vale a pena? Antônio Abujamra responderia aos teimosos: “- a vida é sua, estrague-a como quiser”. Eu prefiro preservá-la.