OPINIÃO

Linguagem

Por Marjorie Rocha | Advogada e Escritora
| Tempo de leitura: 2 min

Linguagem é código, é símbolo e também é técnica combinada com estratégia. Narrativas com palavras ofensivas, seja esquerda, direita ou centro não devem ser consideradas.

Afinal, já sabemos que dizer qualquer coisa não é conduta amparada pelo direito à liberdade de expressão, mas ao contrário disto, a depender do que se diz, como se diz, o contexto em si, incidir-se-á num dos tipos penais qualificadores de Crime Contra a Honra.

A palavra transcende o momento em que é dita, ela reverbera, ecoa e alcança mentes desavisadas de que algo pode ser verdade, mesmo evidenciada a mentira proposital por de trás dela.

Momento delicado, em que precisamos ser mais atentos e seletivos com o que escutamos. Filtro é bom sempre, para que não nos deixemos enredar em armadilhas veladas, escondidas atrás de discursos obscuros.

Vejamos as pessoas pelo viés de sua postura na vida pública e privada. Qual é a sua conduta perante os demais que ela sequer conhece.

Aprendamos a analisar com imparcialidade, isenção de emoções que confundem e despertam sentimentos que se contrapõem à exata dimensão dos fatos apresentados e não apenas comentados em redes sociais.

Que nosso sangue latino seja para lutarmos contra as injustiças sociais, a igualdade de tratamento entre todas as pessoas, a possibilidade de construirmos uma nação forte em valores e princípios constitucionais.

Saibamos nos posicionar na fala, na escuta, e usar o verbo como criação, como transformação e elevação. Vamos utilizar a voz e teclado como agente de mudança real, com participação cidadã, como dever de convívio harmônico e solidário.

Tapemos os ouvidos às palavras daqueles que zombam do sofrimento e vivem numa bolha privilegiada, onde necessidades todas são atendidas. Política é a arte do bom debate, mas antes disso, a capacidade de dialogar com todas as diferenças, sem desmerecer quem quer que seja.

Vamos combater o mal em sua raiz, e nos colocarmos como sujeitos ativos de direito consagrados, seja pela origem divina, como alguns acreditam, seja porque somos seres humanos num orbe adoecido que depende de nós para se converter num mundo em que todos podem se sentir pertencentes.

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