VÍTIMA BAURUENSE

Com uso de IA, criminosos aplicam golpe em advogado com realismo

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Imagem verdadeira de Cirineu à esquerda e, à direita, imagem do vídeo falso. A semelhança assusta
Imagem verdadeira de Cirineu à esquerda e, à direita, imagem do vídeo falso. A semelhança assusta

O avanço da inteligência artificial (IA) tem ampliado os crimes virtuais no Brasil e no mundo. Ferramentas capazes de reproduzir voz, imagem e vídeos com alto nível de realismo vêm sendo utilizadas por criminosos para aplicar golpes cada vez mais sofisticados, dificultando a identificação das fraudes e aumentando o número de vítimas.

Um dos casos mais recentes envolve o advogado bauruense Cirineu Fedriz, que é alvo constante de criminosos que utilizam sua imagem e criam até vídeos com inteligência artificial para enganar pessoas nas redes sociais.

Segundo ele, os golpistas criam perfis falsos utilizando seu nome, número da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), endereço profissional e conteúdos manipulados digitalmente para oferecer supostos serviços de recuperação de dinheiro perdido em golpes.

"Fizeram vídeos com inteligência artificial, eu falando, oferecendo o serviço jurídico de recuperar dinheiro de quem perdeu em golpe. É um absurdo", afirmou. De acordo com Fedriz, o problema se tornou recorrente e difícil de combater. Ele relata que já identificou dezenas de perfis falsos nas plataformas digitais e que, mesmo após denúncias e decisões judiciais determinando a remoção das páginas e pagamento de multa diária de R$100 mil em caso de descumprimento, novos perfis continuam sendo criados.

"A página sai do ar, mas o estelionatário cria outra. É um ciclo sem fim", disse. O advogado explica que muitos criminosos utilizam o chamado "golpe do falso advogado". Nesse tipo de fraude, os estelionatários obtêm informações processuais e entram em contato com clientes utilizando fotos e dados reais de profissionais da advocacia. As vítimas são informadas de que ganharam uma ação judicial e precisam fazer pagamentos antecipados para liberar valores supostamente disponíveis.

"Eles alimentam a conversa com informações verdadeiras do processo. A pessoa acredita que está falando com o próprio advogado", relatou. Fedriz afirma ainda que frequentemente é procurado por vítimas que acreditam terem sido enganadas diretamente por ele. "Tem pessoas que me ofendem nas redes sociais achando que fui eu quem aplicou o golpe", contou.

Além dos perfis falsos, os criminosos também utilizam inteligência artificial para produzir vídeos personalizados enviados diretamente às vítimas. Segundo o advogado, o nível de realismo preocupa. "O timbre da voz é impressionante. Quem não tem familiaridade com tecnologia acaba acreditando", afirmou.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo informou que tem intensificado as ações de combate aos crimes virtuais, com investimentos em tecnologia e capacitação das unidades policiais. Segundo a pasta, todas as delegacias do Estado estão aptas para investigar esse tipo de ocorrência, além da possibilidade de registro de boletins pela Delegacia Eletrônica.

A SSP também orienta a população a adotar medidas preventivas para evitar golpes digitais. Entre as recomendações estão desconfiar de pedidos de informações pessoais, evitar clicar em links suspeitos, utilizar senhas fortes e ativar a autenticação em dois fatores. O órgão ainda alerta para ofertas consideradas "boas demais para ser verdade", prática comum utilizada por golpistas para atrair vítimas em redes sociais e plataformas de vendas online.

Fedriz acredita que a legislação recente sobre crimes virtuais representa um avanço importante no combate às fraudes digitais. Segundo ele, as mudanças ampliaram a responsabilização criminal e facilitaram a investigação dos casos.

"A pena aumentou para quem comete crime na modalidade virtual. Era uma necessidade diante do crescimento desses golpes", afirmou. Apesar disso, o advogado avalia que o combate aos criminosos ainda enfrenta dificuldades devido à velocidade com que os golpes se espalham nas plataformas digitais.

"Os crimes virtuais cresceram muito rápido e as forças de segurança ainda enfrentam dificuldades para acompanhar essa evolução tecnológica", concluiu.

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