TRAGÉDIA FAMILIAR

Menino morto em SP: enterro é marcado por revolta e dor em Bauru

da Redação
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Reprodução TV Record

Sob forte comoção de familiares e amigos, foi enterrado na tarde desta quarta-feira (13), em Bauru, o corpo de Kratos Douglas, de 11 anos, menino encontrado morto na última segunda-feira (11), na zona leste de São Paulo. O caso é investigado pela Polícia Civil como tortura e maus-tratos. Familiares e amigos acompanharam o velório no Centro Velatório Liberato Tayano (ao lado do Cemitério da Saudade) antes do sepultamento, no Cemitério Jardim dos Lírios.

Em entrevistas concedidas às equipes da Record SP e Record Bauru, a mãe da criança, Karina de Oliveira, afirmou acreditar que o filho foi vítima de tortura e relatou que não via os filhos havia quatro anos. “Quando eu deixei meu filho com ele, meu filho estava lindo, não tinha nada”, disse, emocionada. Segundo Karina, ela jamais imaginou que os filhos viviam em situação de maus-tratos. “Pra mim, meus filhos estavam bem. De maneira alguma imaginei que ele faria isso”, afirmou.

A mãe contou ainda que o ex-companheiro, Chris Douglas, nunca havia demonstrado agressividade física contra as crianças durante o relacionamento. “Ele nunca bateu nos filhos, nunca foi um pai ruim. Não era muito presente, porque nunca gostou de trabalhar. Quem sustentava a casa era eu”, relatou. Karina também revelou que sofria ameaças do ex-marido após a separação. “Ele me ameaçava. Dizia que se eu tentasse pegar a guarda dos meus filhos, iria me matar. Ele chegou até a mostrar uma arma para mim”, desabafou.

Ainda segundo ela, durante os quatro anos afastada dos filhos, tentou inúmeras vezes restabelecer contato. “Eu mandava mensagem uma atrás da outra, procurava amigos dele em Bauru para conseguir notícias. Faz quatro anos que não vejo meus filhos. Vou ver ele hoje morto. Não sei se ele fez isso por maldade, vingança ou ódio porque eu larguei dele”, declarou.

A mãe afirmou à repórter Thaíssa Barcellos, da Record Bauru, que percebeu ferimentos nos dedos e na cabeça do menino durante o reconhecimento do corpo. O laudo oficial da causa da morte deve ser concluído nos próximos dias, mas a família acredita que Kratos tenha sido submetido a sessões de tortura. O nome da criança foi inspirado no protagonista do jogo “Fantasma de Esparta”, personagem conhecido por viver acorrentado. A irmã da vítima, May, de 12 anos, que estava sob guarda da avó paterna junto com Kratos, voltará a morar com a mãe após o caso.

Relembre o caso

A morte de Kratos Douglas passou a ser investigada após equipes do Samu acionarem a Polícia Militar ao identificarem indícios de maus-tratos durante o atendimento da ocorrência, na noite de segunda-feira (11), no bairro Cidade Kemel, em São Paulo. De acordo com a polícia, o pai da criança admitiu que mantinha o filho acorrentado dentro de casa para impedir que ele saísse para a rua. O menino foi encontrado caído no chão de um quarto, já sem vida, com hematomas nos braços, pernas e mãos, além de sinais de desnutrição.

O pai foi preso em flagrante. Em depoimento, negou agressões físicas, mas confirmou que prendia o filho com correntes. A Polícia Civil investiga o caso como tortura. Na residência também estavam outras duas crianças, de 2 e 12 anos, sendo uma delas diagnosticada com autismo. Ambas foram acolhidas pelo Conselho Tutelar.

A madrasta e a avó paterna afirmaram às autoridades que sabiam que o menino era mantido acorrentado, mas disseram que não interferiam na situação. As duas também são investigadas. De acordo com a Delegacia de Defesa da Mulher, a família já havia sido alvo de investigação por suposta violência doméstica em Bauru, em 2022. O procedimento, no entanto, acabou arquivado pela Justiça no mesmo ano.

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